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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Ele - O bichinho

Opa...
olha só aquele antigo sentimento, aqui, em meu peito.
Me espia, me olha meio desconfiado.
Será que ainda sou o mesmo?
Será que algo não se rompeu, nestes tempos de ausência?
Teria algo em mim falecido, nesse inverno de silêncio, em tantos gritos sufocados?

Olha lá aquele sentimento brincante.
Incomodando as quatro paredes do estômago,
Insistindo em me dizer: "não acabou... ainda há mais por vir. Mas é preciso chacoalhar a poeira, não se render. É preciso olhar nos olhos da rotina e dizer, com determinação: FODA-SE."

Olha aí ele me entortando os rumos.
Quebrando novamente os protocolos,
encerrando ciclos, reabrindo caminhos,
cumprindo missões, reencontrando os espinhos,
que alfinetam meu coração.

Olho-me aqui, no espelho.
E no fundo do espelho dos olhos,
no âmago da alma,
há um bichinho implorando por um novo grito
que assevere minha independência,
que corte corações por vingança,
que arrebate os sorrisos canalhas,
que reescreva sincero, com lápis de qualquer cor, que a dor que a gente sente, merece sempre ser respeitada.

O grito é ensurdecedor.
Me enlouquece.
E ninguém mais pode ouvi-lo.

O grito ecoa, profundo,
reverberando timbres revolucionários,
nas janelas da consciência,
até romper a razão
e lançar-me em espiral pelo espaço.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Fumaça

Continuo a espera,
de um sinal
que me derrube as lágrimas
que me inunde o peito
que me encha de vida

Continuo a vida
esperando

Continuo a vida
esperando

Sigo a sina da dura rotina
De achar outra rima
De brotar poesia
Na terra que a desilusão salgou

Espero dos céus um sinal de fumaça
um telefonema, um e-mail, um scrap
Qualquer coisa me faça chorar
Que rompa essa frieza dura
Dos dias em vão sem amar

domingo, 24 de outubro de 2010

Imprevisível

Numa noite qualquer,
afogado num copo de um destilado qualquer
sentindo paixão
sentindo.

Procurando, incessantemente, a inspiração
Deixando-a escapar
sentindo ódio
sentindo rancor
sentindo.

Com o olhar perdido...
perdido em conforto, lágrimas e amor
mas acima de tudo perdido
porque sei que a vida não é saber aonde ir
porque sei que não sou eu quem dá o tom
nem o ritmo da dança
porque sei que tudo pode estar por um fio
e mesmo assim
preciso apostar no mínimo de segurança que tenho.

Sentindo frio
Sentido fome
Triste
E além de tudo,
feliz pelo que o imprevisível me reserva.

Pelo que se foi,
e do que sinto saudade
e pelo que ainda há de vir,
pelo que não posso prever nem controlar.

Hoje,
com alguma maturidade, talvez...
olho a vida e toda sua imprevisibilidade
olho o que posso
o que conquistei
e sinto apenas
unicamente e apenas
uma grande vontade de viver
ainda mais do que já vivi,
mas do meu jeito
aproveitando cada segundo
de emoção ou de ócio.

Seguindo
com os olhos cheios de lágrimas
alguns buracos no peito
várias, muitas, cicatrizes
sabendo que hei de voar
e me esborrachar na terra
que hei de sentir a glória
e noutro dia a vergonha.

E noutro dia, o prazer e a dor de outro dia.
Até esgotar-me,
e chegar ao fim
Como todo poema há de chegar
com todos seus defeitos risíveis
sem glória
sem palmas
e talvez,
com algumas lágrimas suspeitas.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

O momento

No es facil!

Talvez fosse a hora.
os minutos, dias, semanas,
tivessem passado o suficiente
para reconhecer que nada é assim
tão trivial
tão preto no branco
Tão matemática.

Talvez fosse o tempo
de compreender que há nuances
que as relações são fluidas
que lágrima e sorriso andam juntas
de mãos dadas.

Talvez fosse o momento
o momento ideal
para assumir que nossos julgamentos são falhos
especialmente quando estamos com os dedos apontados
plantando rancores
colhendo culpados.

Nesses lapsos,
no interstício
o peito bate
o coração apanha
os olhos se inundam.

Nessa pausa
abstrata
em que o peito se revira
em que me sinto minúsculo
em que me sinto só

Que o peito pulsa novamente
me lembrando que é preciso seguir adiante
que a vida não pára
Que é importante aprender a chorar
E a esquecer
Que é importante se lembrar de sorrir
Ainda que não se lembre o motivo

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Comovente

As agruras da guerra relatadas através da areia. Muito bonito!

terça-feira, 11 de maio de 2010

Indefinível

Rouba de mim o nada que me restou
E me devolve à vida
Um pouco mais nu que quando vim ao mundo
E um pouco mais inteiro.

Arranca de mim as últimas gotas de suor,
O último sopro de vida.
As últimas lágrimas de sangue.
E me lança em espiral pelos ares
Em rota irracional
Em reta loucura
Em outros tortos itnerários.

Destrua o que sobrou das minhas poucas certezas
Esmaga o que restou da minha utopia
Derruba-me então dos céus
E quebra minha cara no duro solo da realidade
Partindo esse concreto
Pra que possa nascer uma flor
Brotar outro sonho,
Até surgir o monstro do rastelo,
o próximo recapeamento,
ou aquela moça indefinível cravar seu salto em meu coração.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Procura-se

Procura-se novos espaços
novos amores
novos sabores

Deseja-se outros amigos
outras ternuras
outros temores

Espero por novos olhares
novos ruídos
novos rumores

Procura-se outros lugares
outros sentidos
otras colores

Varia-se a roupa, o cabelo, o idioma
tentando fugir deste estado de coma

Varia-se o ritmo e o tom
o passo e o compasso
a dança e a mudança

Procura-se a alma do corpo
Se você a viu por aí
Devolva-me

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Poema Pílula 8 - Imagens

Pensamento por imagens, acelerado.
Quanto mais rápido penso,
mais eu fico aqui parado.

Pensamento em muitos flashes, veloz.
Não os entendo. E preciso?
Não!
Não basta a razão,
Pra desatar todos os nós.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Liberdade

Dia após dia, rompem-se os nós,
Quebram-se as correntes.

Ainda não sou livre.
A criatividade ainda está enjaulada no proceder burocrático
Nas regras que aprisionam
Na organização que assassina o que há de melhor em mim

Ainda não sou livre
Ainda me rondam prazos e compromissos,
Tarefas e afazeres,
Determinando-me objetivos, impedindo-me de agir sem fim.

Justas e merecidas férias para esquecer esse mundo racional.
Para me libertar da opressão matemática.

A natureza nos demonstra, dia após dia, que viver também é uma arte do improviso
E eu quero a espontaneidade sem limites definidos.
Sem métrica, nem rima. Quiçá até sem linguagem.

Quero a atitude pouco profissional, que resgata diante dos meus olhos a dimensão humana de tudo que existe.
Quero a paz de poder enlouquecer e fugir de todos os parâmetros.
Quero ser bicho, quero perder o sentido.
Quero vagar por aí.

Até o ano que vem.
E muito mais além.

Ainda não sou livre.
Mas muita coisa vai mudar...

Até o ano que vem.
E muito mais além.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Sorriso final

Eu quero fazer bagunça
Eu quero desorganizar o local
Eu quero subverter a lógica
Quebrar o maldito e enfadonho protocolo.

Quero rasgar o documento ao meio
Quero partir o coração em mil
Quero bagunçar o raciocínio
Colocar tudo fora de lugar.

Chega de versos polidos e bem acabados
Chega de carimbos e contratos
Chega de negócios e burocracia
Basta dessa vida fria
Basta dessa vida insossa.

Eu preciso do psicodélico
Eu preciso do sem sentido
Necessito mais uma dose
Necessito um pouco mais de risco

Cansei-me da linha reta
Do discurso linear
Quero voar em círculos
E chegar a nenhum lugar

Basta de matemática, ciências duras, geometria.
Estou farto de fórmulas de eficiência
Quero desperdiçar meu tempo no que é mais inútil
Quero o mau gosto
O imprevisível
O imperdoável
O incontível e inexplicável.

Não quero viver com os pés no chão,
vendo o mundo a desabar a minha volta.

Quero acabar esborrachado no chão
Caído de um sonho alto,
Estamapando no mundo o carimbo
De um longo e largo sorriso.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Os Caretas

Adapatação de texto originalmente escrito em 12.09.06, mas que reflete o que sinto até hoje.

E que se fodam os caretas.
E que se foda toda sua hipocrisia, seu sorriso amarelo.
Danem-se todos os números que movem seu corpo,
Danem-se boletos e extratos bancários.
Danem-se os guichês, filas, senhas, holerites.

Explodam os caretas.
Enforquem-se em suas gravatas, ternos, paletós.
Afoguem-se com seus contadores, procuradores, procurações.
Danem-se todos os burocratas.
Ratos sujos que se alimentam de leis em putrefação.
Corrijam já, monetariamente, seus créditos.
Atualizem todos os valores que possuem.
Mas não ousem corrigir minha postura,
Tampouco meu modo de enxergar a vida.
Não sonhem em me atualizar sobre o mercado.
São vocês que vivem no passado.

Corretivos, corredores, corretores.
Fugitivos, roedores, desertores.
Desistiram da vida mais bela.
Traíram a prosa e a poesia.
Persistiram, suicidas, nesta cela.
Desistiram da rosa e da alegria.

Enquanto o mercado opera seus lucros,
E o dióxido de carbono destrói meu pulmão,
Cola em minha garganta e me sangra o nariz.
Enquanto morro enforcado em gravata,
Sufocado em fumaça.
Enquanto esquivo da bala perdida...
Há um lugar em que,
Durante todos esses dias,
A natureza bebe da água limpa.
Indiferente e despreocupada.

Caretas malditos,
Covardes!
Não haverão de me contaminar!!!

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Chorei

Chorei,
Mas de meu rosto não escorreu sequer uma lágrima, sequer um pouco de água e sal capaz de borrar letras tristes num papel.

Chorei três vezes, sequer uma lágrima.

Gritei, mas não se ouviu a queda de uma agulha, não se ouviu sequer o farfalhar das folhas nos galhos, não se ouviram grilos nem cigarras. Não se ouviu.

Gritei mais de três vezes. Gritei mais de dez vezes, até ouvir o silêncio ecoar em meu peito.

Sonhei, como sonham crianças. Sonhei acordado. Sonhei mais de uma vez. Mais de três, mais de dez. Sonhei incontáveis noites sem sono em transformar a realidade que não me deixa dormir. Sonhei com as lágrimas acumuladas em meu peito.

Sonhei mais de uma vez. Sonhava acordado.

Cantei baixinho. Era uma melodia triste e fiquei melancólico. Atravessei o inverno, recolhi folhas e flores e frutos. E não se ouviu as folhas farfalharem no vento que abafou meu canto.

E eis que agora ouso derrubar uma gota. Esboçar uma palavra. Transformo o sonho em realidade e a realidade em sonho. E os olhares desconfiados pairam sobre mim, o pobre coitado.

Chorei de rir, engolindo mágoas e sorrisos.

domingo, 5 de julho de 2009

Poema Pílula 7 - Amor

Amor,
o verdadeiro poema,
não está na tinta que escorre da pena,
mas no que a palavra sugere ao leitor.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Poema Pílula 6 - Do que sou feito

Eu sou a tela,
Minhas tintas e cores, quem colore é o mundo.
Eu sou o nada,
Onde o mundo jorra seus golpes de pincel!

Já não sou o que sou
Sem ser o que me rodeia
No que me cerca, meu retrato borrou
Eu sou tudo o que me permeia.

sábado, 4 de abril de 2009

Por mais liberdade

Desprendam-me.
Desprendam-me de mim mesmo
para que eu possa voar.
Deixem-me deixar meu corpo
para que meu corpo seja eu sem pensar
Deixem-me deixar meu corpo
para que meu sonho possa enfim decolar.

Deixem-me viajar os céus.
Desprendam-me

Desprendo-me
Deixo-meu pousar em um outro contexto
Permito-me ser amarrado por novos laços
Ser envolto em novas idéias
Permito-me plantar novos pensamentos
Semear novas relações
Autorizo-me a fincar novas raízes
e aprofundá-las para beber d'outra água.

Proíbo-lhes arrancá-las
Proíbo-lhes tolher minha diversidade.

Afasto-me, para me observar de longe.
Afasto-me, para me observar diverso.
Retorno, para me reinventar de novo
Renasço para me traduzir em outro.

Desprendam-me
Deixem-me
Proíbo-lhes

Desprendo-me
Permito-me
Renasço

Sendo o outro, sempre através de mim

Soltos

Não tente reduzir o que há de racional em mim
Não tente, menos ainda, massacrar o que há de animal em mim.

Sou em ser de várias metades, complementares
Nem só razão, nem só paixão
Sou um ser em várias frações, covardes,
que empurram e freiam a minha ação.

Sou um ser de muitas nações!
Do bloco dos loucos,
do bloco dos sábios,
do bloco dos bêbados e sem sentido
do bloco dos sóbrios e do eu sozinho.

Sou de muitas ações
Ações em sentidos diversos
Logicamente, incoerente
Sem nexo como meus versos.

Mas você, aí, de pés no chão...
Não me julgue por andar fora da linha,
Pois a minha menor distância entre dois pontos
É uma estrada de muitas curvas e declives
Onde a lua é uma bússola com muitos nortes
Dando sentido aos sem rumo
E rumo ao que não faz sentido.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Poema Pílula 5 - Silêncio

As palavras encravadas na ponta dos dedos,
um nó na garganta,
e um rio que me sobe a face e inunda os olhos.
As palavras brotando nos dedos,
e um silêncio estridente a fazer companhia.

Só mesmo o silêncio,
pra dialogar com meus sonhos impróprios.
Só mesmo o silêncio,
e o vazio de uma poesia.

De tudo

De tudo, a vida tem um pouco
Um pouco de saudade deixada pra trás
um pouco de riso, um pouco de choro.
Um bocado de recordações, boas e más.
De tudo um pouco.

Um tanto de pranto,
Um tanto de paz.
E de tudo isso,
algum desencanto,
alguma melancolia,
de estrela fugaz.

De tanto, a vida tem de tudo
De tudo um tanto
E tanto que não cabe em mim.
Que se sentisse metade,
Seria mais do que jamais sonhei.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Poema-pílula 4 - Encontro

Precipito-me em poucas linhas
ao abismo de minha essência
que vive nas entrelinhas
das fendas da inconsciência

Me encontro!

Poema Pílula 3 - Esboço em pedaço de papel rasgado

Trago o peito sangrando
apunhalado, não sei por onde
deixo a dor cicatrizando
nesse nosso esconde-esconde