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quarta-feira, 29 de abril de 2009

Pro dia nascer feliz

Hoje eu estendi de novo minha bandeira do verde na mesa de Centro da Sala. Pela segunda vez. A primeira foi contra o Sport na Ilha do Retiro.

Hoje eu vesti de novo a minha camisa da sorte. Uma camisa comprada na frente do Morumbi, minutos antes de Palmeiras 5 x 0 Ponte Preta, na final do Paulista 2008. Camisa cuja história está retratada aqui.

Hoje eu pensei (e me penalizo por isso!) que tudo estava dando errado. Que a bola do K9 não queria entrar. Que o Pierre e o Diego saíram machucados e que isso só podia ser um sinal. Que o Cleiton Xavier não acertava um cruzamento!

Mas o Pierre voltou machucado a campo para salvar um gol do Colo Colo. E o Cleiton tinha guardado toda a sua precisão para o último chute.



Chute esse que me lembrou o chute abaixo do PET, no Flamego contra o Vasco, na final do Carioca de 2001.



Fantástico! As imagens valem mais que qualquer palavra. Pobre do vizinho, que já havia notificado o síndico pelo toque da minha corneta de plástico, e que às 00:00 da madrugada ouviu os mais agressivos palavrões e berraria de 3 marmanjos vestidos de verde.

Não me importo com ele! Hoje é dia de dormir feliz. E amanhã é dia de acordar sorrindo!

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Diego: nem só de glórias se faz um ídolo.

O acontecimento mais relevante no mundo do futebol neste fim de semana, ao menos pare este que vos escreve, não foi o título do flamengo, a vitória do ascendente Corinthians com gol e brilho de Ronaldo ou a esplêndida partida do pequenino Madson.

O fato realmente relevante do final de semana foi a consumação de um processo que desde meados de 2008 já estava em curso. A partida entre Palmeiras e Santos, no Palestra Itália, acrescentou com tintas duramente removíveis o adjetivo ídolo ao nome de Diego Souza.

Nem só de glórias se faz um ídolo. O exemplo de sábado é a mais perfeita ilustração dessa máxima. Diego Souza forjou-se ídolo na base da disposição, da raça, da vontade de vencer e do orgulho de vestir um manto que não cai bem em qualquer um.

Nem só de glórias se faz um ídolo. É extremamente fácil recorrer ao lugar-comum e crucificar Diego por seu comportamento violento. Jornalistas pobres de espírito como Fernando Calazans, do fraco Globo, que o façam. Que os frios (ou nem tão frios) amadores-profissionais do futebol o analisem sob essa distorcida ótica. Deixemos o mais novo bobo da corte do SPFC (aliás, que escola a criada por Marco Aurélio Cunha!!!) atinja Diego à pretexto de falar do árbitro da partida.

O amante do futebol compreende Diego, um dos poucos no elenco alviverde a incorporar o espírito de competição e a vontade de vencer necessários em uma decisão. Pudera o Palmeiras ter 11 Diegos em campo. Quiçá 9, tão dispostos quanto ele para se juntarem à Marcos e Pierre.

Não é apenas de talento, lindos gols e passes perfeitos que se faz um ídolo. Diego possui essas qualidades. Mas um ídolo precisa de atitude. E a reação de Diego foi a reação de um homem de atitude. Foi o transbordar de uma frustração enorme em não ter conseguido transformar toda sua raça e qualidade em vitória. Apesar da expulsão e do provável gancho que pegará, Diego saiu de campo consagrado como um ídolo. Ao contrário do apagado Keirrison, que sumiu nos momentos em que o time mais dele precisou.

Chego a importar-me pouco com a eliminação do meu time do coração nas semifinais de um já desgastado, porém importante, Paulistão. No último sábado, algo muito maior foi conquistado: uma conquista pessoal de Diego; uma conquista para toda torcida do Palmeiras.

A partir do dia 18 de abril de 2009, Diego passou a contar com a confiança e apoio irrestrito do torcedor alviverde. Não há gancho ou punição que lhe possa roubar isso. É verdade que Diego precisa amadurecer para não cair em provocações fúteis como a do grosso Domingos. E é importante que a sua atitude violenta não se repita. Mas por sua hombridade, Diego precisa ser respeitado e aplaudido, não crucificado.

O futebol me relembra mais uma vez uma importante lição de vida. Raça e gana de vencer são sempre mais importantes que a vitória. O erro é irrelevante e perdoável quando é cometido pelos motivos certos, com vontade de acertar. Diego foi injustiçado no último sábado porque ele merecia a vitória. Porque merecia companheiros mais dignos atuando ao seu lado.

No final da partida de sábado, Diego trouxe o lado humano, emocional e verdadeiro de um homem volta ao campo. Em proporções muito menores, fez o que Zidane quando este devolveu o mundo do futebol à realidade, mandando às favas a frieza profissional e as regras do jogo.

Diego libertou o torcedor do sofrimento de uma derrota sem luta. Diego forjou-se ídolo na raça e na atitude. Não no embalo alegre da vitória.

Diego perdeu, mas deixou o campo de cabeça erguida. Domingos e muitos dos companheiros de Diego não puderam fazer o mesmo.



Ps1: Digam o que quiserem. Eu estou com Diego e não abro.
Ps2: Leiam o ótimo post Sete Belo do Cruz sobre isso.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Crônicas de um Palestrino 5 - Pré-temporada 2

A pré-temporada é o ano novo do futebol.

Encerrado o período de festas, surge aquele ânimo de sonhar com dias melhores para o ano seguinte. Fazemos planos, renovamos as energias, sonhamos sonhos mais altos. Começado o ano, tentamos abandonar velhos hábitos e incorporar novos, perder a barriga, nos alimentar melhor... enfim, tentamos progredir. Quando menor, por exemplo, lembro-me de me prometer tomar banho todos os dias no ano seguinte. A virada do ano promoveu um grande avanço em minha vida, sem dúvida.

Quando as mudanças não dependem dos outros o exercício de mudar é muito mais simples e gratificante. Basta virar o ano e lá vamos nós, correr todas as manhãs antes do trabalho, economizar dinheiro, consumir cultura...

Já quando as mudanças dependem dos outros, a angústia é interminável. A ansiedade por dias melhores nos aflige a atormenta. Este é o caso dos meus últimos dias, em um campo específico da vida, que é o campo do(e) futebol.

Assim como no “mundo real”, encerrado o ano (Campeonato Brasileiro) todos os torcedores em algum momento param para fazer aquele balanço e passam a sonhar e planejar o ano seguinte. Para o torcedor palmeirense, entretanto, virou o ano e aqueles sonhos de vôos mais altos chocaram-se com o duro chão da realidade. Dois mil e nove deveria ser “o” ano. Essa era a promessa que tanto ouvimos. Mas a mudança para melhor tão desejada (que de nós nada depende) tem demorado a acontecer e as novelas das contratações parecem intermináveis.

Assim, compulsivamente, reviro três ou quatro sites de notícias e a blogosfera especializada atrás de alguma notícia animadora, mas o destino não quer dar paz à este verde coração.

E assim meus dias neste campo seguem aflitos. Enquanto tento me livrar de velhos hábitos e procurar um rendimento mais eficaz no trabalho, a distração compulsiva e a preocupação permanente me movem a clicar repetidas vezes nos RSSs de notícias do verde.

E fico a me perguntar, com uma pulga atrás da orelha: quantos, como eu, estarão a fingir que trabalham neste exato momento?

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E antes de postar isso tudo, vejo através deste blog que eu mesmo, 363 dias atrás, vivia a mesma situação de ansiedade. Naquela ocasião, com menos novidades e motivação para o “mundo real”, mas carregando muito mais otimismo no enorme espaço verde do meu coração.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Para presidente da SEP

Quando criei este blog, meu objetivo não era comentar futebol. Nunca quis que esse espaço servisse para isso.

Mas algumas coisas são inescapáveis.

E essa abaixo é uma delas.

Meu coração torcedor é mais forte que a idéia de separar meus devaneios sobre o mundo da minha paixão futebolística.

Fica então a mensagem de apoio, consubstanciada na foto abaixo!

E já que resolvi falar disso, deixo minha mensagem de repúdio ao filhote de Juca Kfouri que postou este absurdo aqui!

Acho que nunca ouvi coisa mais desprezível do que o termo higienização. Parabéns ao autor desta pérola do preconceito.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Copy and Paste 2 - Museu do Futebol

Como já disse alhures, tem coisas que é melhor repetir do que tentar dizer com as próprias palavras.

Essa é uma delas, do blog O futebol e..., que vale a pena de ser conferido, sobre o Museu do Futebol recentemente inaugurado em São Paulo.

Aí vai...

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Museu do Futebol

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Queria ser alvi-negro ou rubro-negro,

Lusitano ou palestrino.

Quis ser celestial, colorado e tricolor!

Sonhei sorrir feito Leônidas, pedalar como Robinho e vice-versa.

Dei socos no ar, apontei o dedo ao céu e falei que era 'o cara'.

Chorei maracanazzo e Sarriá.

Marquei Mané e Canhoteiro.

Falhei...

Vesti a 10 da Marta.

Assinei Nélson Rodrigues no jornal.

Quis ser a mão de Deus, o pé do anjo, a barriga do gaúcho.

Fui mestre e fui divino.

Galinho e Rei.

Sou peladeiro, boleiro e até juiz.

Queria ser o Maracanã! A geral do Maracanã!

Quis ser negro.

Quis ser branco.

Goleiro e ponta-esquerda.

Quis ser a Jules Rimet!

Adorei ser brasileiro!

Ontem, eu fui bola!

Fui ao Museu do Futebol!

domingo, 14 de setembro de 2008

Crônicas de um Palestrino 4 - Alma lavada

É impressionante como o Palmeiras consegue mobilizar uma grande parte do meu dia. Eu deveria, hoje, estar sentado com a bunda na cadeira e olhos fixos nos livros de direito, estudando para ingressar no mestrado.

Mas a emoção não deixa. O dia todo, passo feito um alucinado esperando a partida que pode ser decisiva para o futuro do time na competição.

Logo de manhã, na minha leitura matinal no banheiro (sei, o comentário é desprezível e desnecessário, mas é assim que a coisa - ou o intestino - funciona para a maioria), vou direto à página de esportes procurar as notícias sobre o verde. Inútil indignar-me pelo fato de O Globo não cobrir os times de São Paulo, mas hoje, dada a importância do duelo, havia uma nota. O fato me deixa feliz. A cabeça distrai-se com notícias sobre o pré-sal, as eleições no Rio de Janeiro e o debate sobre a legalização (pífio, por sinal, tendo em vista os danos que o tráfico causa ao Rio).

Volto para a cama para mimar a mulher (elas precisam de atenção permanente). Aquele sinal de alerta permanece ligado, sempre me lembrando o quanto uma vitória fora de casa contra o vice-líder Cruzeiro seria importante. Ela (a mulher) me faz esquecer o verde por algum tempo, mas a mensagem do amigo no celular perguntando onde irei ver o jogo desvia o foco de um amor para o outro. Não adianta fugir.

Cogito comprar o pay-per-view. Ficar tranquilo em casa mas o preço é um assalto. O monopólio das organizações Globo (a mesma do jornal impresso, da minha internet e minha TV a cabo e aberta) é prejudicial não só à democracia. Inibe também a minha paixão. R$ 60 reais por uma partida é uma piada.

Bate 15:30, hora de ir para o bar onde a torcida do Palmeiras do RJ se reúne para assistir os jogos. No ônibus, no caminho, lembranças recorrentes a cada lenço verde pendurado nos cabelos das moças, a cada camisa de tom esmeralda. Sou consciente que nada disso tem a ver com o Palmeiras, mas estes são os caminhos da minha mente, perturbada pela decisão...

No bar confortam-me a visão de dezenas de palmeirenses vidrados na tela. E alimenta minha paixão os urros desta gente explodindo com o gol de Diego Souza aos 42 do primeiro tempo. Nos olhos deles, a mesma esperança que a minha.

Sinto que vamos vencer, sinto que é possível... e atribuo a chance da vitória, sinceramente, à camisa pirata do goleiro Marcos que comprei minutos antes da final entre Palmeiras e Ponte Preta, com o principal objetivo de tentar penetrar o subconsciente do meu sobrinho de 5 anos que acompanhou o jogo comigo. Eu não acredito em divindades ou espíritos, mas acredito na força da camisa que vesti hoje. Segundo meus cálculos, o Palestra nunca perdeu nos dias que eu vesti. Viva a costureira que bordou toscamente o símbolo no peito esquerdo.

No momento do gol, sinto ainda uma extrema satisfação em ver as pessoas na rua tentando entender por quê aquele punhado de marmanjos vestidos de verde está a gritar e pular. Dentro do ônibus lá fora observo um flamenguista olhar intrigado para o bar e penso: "respeita parceiro. O Palmeiras é gigante".

Com a expulsão estúpida do garoto Lenny (que não pode ser crucificado por isso) aos 17 do segundo tempo, o relógio passou a girar devagar. O Palmeiras se encolheu na defesa de uma forma que nunca vi um time do técnico Vanderlei Luxemburgo fazer. E a tática deu certo. Apesar de constantemente ameaçado e das boas participações do goleiro Marcos, o time encerrou uma série de 4 jogos levando gols, entre estes duas sonoras derrotas em goleadas para o Inter e Sport.

Chega o fim do jogo e a berraria continua. Canto freneticamente mesmo sem ter ingerido uma única gota de álcool. Filmo a pequena amostra dessa massa no celular. Envio o vídeo para um amigo fanático em São Paulo. Vejo o comemorar sincero de um palmeirense, com os olhos fechados e para baixo e os punhos cerrados, num momento exclusivamente dele, em que ele não quer mostrar nada para ninguém. Um vibração verdadeira de euforia pela vitória.

Volto para casa... tenho muitos deveres a cumprir. Meu apartamento está uma zona, eu preciso cozinhar algo para o jantar pois estou sem grana para comer fora. Mas minha atenção permanece no jogo e no sonho de ser campeão. Sei que não devo, mas inicio uma longa navegação pelas notícias do esporte na internet. Preciso compartilhar a alegria: disparo mensagens no celular. Aproveito e vingo-me do flamenguista que tirou sarro da minha cara quando perdemos para o Sport e sorrio sincero quando ele me responde todo nervosinho. Sei que é feio, mas foi ele quem começou com a palhaçada na semana passada, mexendo com minha revolta de um jeito que não se faz. Chego a me arrepender da mensagem, mas é o preço que ele tem que pagar (respeita, parceiro).

Estou em casa... tiro minha camisa da sorte, dobro-a e guardo direto do armário. É nojento, eu sei, mas ela nunca foi lavada e assim permanecerá até o fim do Brasileirão.

Ligo a TV na sala para ouvir o resultado do Botafogo. O Palmeiras matou e continua a matar boa parte do meu dia. Não consegui sequer pôr as cervejas que comprei no caminho de volta na geladeira. Estou vidrado nas notícias e neste relato. Eu sei que sou ridículo, mas estou feliz da vida com tudo isso. Como é bom vencer!

sexta-feira, 14 de março de 2008

Clássico

Sensibilidade à parte, vai ter clássico no domingo.
 
Não que isso seja motivo para colocar os textos mais emotivos de lado. Justamente o contrário: clássico é emoção e há muito o alvi-verde não tem um elenco tão capaz de medir forças com o tricolor.
 
De um lado, um time aspirante à títulos, mais bem encorpado, em melhor fase e com mais sede de vitória. De outro, um time que na história recente ficou habituado a vencer e em evolução, sem débitos com sua torcida e com jogadores experientes e perigosos.
 
Para por ainda mais pimenta, o jogo é decisivo para as pretensões de classificar de ambos os times.
 
Qualquer palpite é perigoso. Mas o coração alvi-verde palpita mais, mais aflito, ansioso por qualquer pequeno troco que possa ser dado aos tricolores pelo passado recente.
 
Tem tudo para ser um jogão.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Crônicas de um palestrino 3 - O time de 1996.

O time de 1996 do Palmeiras foi um dos melhores que já passou pela face deste humilde planeta. Mais de 100 gols no Paulistão, no qual foi campeão.

Vice-campeão da Copa do Brasil, em virtude de uma falha individual do goleiro Velloso, que ainda mora no coração do palmeirense.

Me faltaria memória e emoção para escrever sobre este time, emoção que senti ao ler essa crônica do Armando Nogueira, copiada abaixo. A coluna fala mais do que eu poderia dizer, em mil palavras.

Realmente, o negócio ali era sério:




A coluna foi retirada do Blog do Roberto Galluzi Jr., que escreve no site da globo.

Gostou? Então deixe seu comentário...

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Sobre Denilson, Luxemburo e o Palmeiras

Denilson chega com o status de um grande jogador.
 
Vestiu diversas vezes a camisa da seleção brasileira. Participou da Copa do Mundo 2002.
 
Chega também como um jogodar ineficiente, pouco objetivo, como um jogador em fim de carreira.
 
Mas conta com Luxemburgo e um time bem armado para recuperá-lo, nem que jogue só meio tempo.
 
Denilson é melhor que Luiz Henrique e William, juntos, agrega ao time
 
Denilson não é Adriano, não é solução para nenhum time. Mas Denílson também não é problema, chega "de graça" e para somar, motivado por contrato de produtividade.
 
No mais, é preciso apenas paz para que ele e Luxemburgo possam trabalhar. O treinador, aliás, tem sido diariamente atacado pela imprensa Paulista, apesar de demonstrar um comportamento bem mais tranquilo que o de tempos atrás.
 
Luxemburgo não é flor que se cheire. É flor que gera frutos, mas que se não for bem podada, desertifica o solo por que passa.
 
Da mesma forma como pode ser a Traffic.
 
O Palmeiras precisa de cuidado. Precisa aprender com os erros da "era Parmalat", para que, no futuro, a ausência de Traffic e Luxemburgo não seja um desastre para o clube.

sábado, 12 de janeiro de 2008

Crônicas de um Palestrino 2 - Palmeiras 4 x 2 Flamengo

No post anterior, ficou uma sensação de insatisfação: como mencionar Palmeiras 4 x 2 Flamengo sem dar um algo mais que possa servir como um vislumbre do que foi estar no estádio naquele dia 21 de maio de 1999.

Era quartas de final da Copa do Brasil (e não semi, como diz o vídeo abaixo). Na ocasião, pela força do time do Palmeiras, eu achava que o time iria conquistar os três grandes torneios do semestre. A Copa do Brasil, a Libertadores (que ao final conquistamos) e o Paulistão. No Paulistão, fomos vice, perdendo pro Corinthians após fazer o primeiro jogo da final com um time misto. No segundo jogo, pancadaria geral após Edílson (do Corinthians) fazer embaixadinhas e colocar a bola atrás da nuca. Para toda a minha vida, levei daquela noite uma importante lição: respeitar o adversário é essencial, em especial quando a disputa está à flor da pele.

O cenário de Palmeiras e Flamengo era diferente de qualquer coisa que eu já vira no Palestra
Itália. Nunca, em um jogo em casa, havia tanta torcida adversária presente. Durante a partida, veio a explicação: uma massa de corinthianos, impulsionada pela rivalidade ainda mais latente na época, invadira o Palestra cantando "Timão, eô". Mais que isso, no jogo seguinte no Palestra, ainda me lembro de ver pichado o nome da organizada Gaviões nas escadas que dão acesso à arquibancada.

O Flamengo saiu na frente no primeiro tempo. O Palmeiras só foi empatar aos 26 da segunda etapa, com um gol de Oséas. Aos 32, o Flamengo desempatou num belo gol de falta. O Palmeiras, que então precisava tirar 3 gols de diferença para ir a final, empatou num belo chute de Júnior aos 35, e foi virar aos 44 e 46 com dois gols de Euller.

Mas o que importa, foi o que se sucedeu naqueles 10 minutos de taquicardia. Aos 32, alguns torcedores começaram a deixar o estádio. Em tom de brincadeira, lembro de gritar, como tradicionalmente se faz, "sai fora pé-frio!", "a gente vai marcar três ainda". Era pura brincadeira, de quem assim como os outros presentes, já estava se conformando com a dura eliminação.

A torcida corinthiana e flamenguista presente no estádio gritava, calando o Palestra: "E-LI-MINADO". A minha revolta (eu tinha 17 anos), era enlouquecedora. Aos 35, uma luz, mas nada que desse um verdadeiro ânimo para acreditarmos na classificação, ainda mais quando o tempo ia lentamente se passando, sem que o Palmeiras pudesse diminuir o placar. Aos 40, uma multidão começou a se retirar e, desacreditado, renovei meus gritos de "fora pé-frio", dirigindo um riso misto de piada e decepção ao meu primo que me acompanhava naquela noite.

Dos 44 ao fim do jogo, menos de 5 minutos que valem a vida de um torcedor. Uma emoção em massa inexplicável, mas que em vão tentarei rabiscar. Dois gols de cabeça do Euller após dois escanteios, batidos do mesmo lado. Os gols, após dois "bate-rebates". Um misto de sorte, estrela e, mesmo não acreditando em divindades, muita reza. Após o primeiro gol do filho-do-vento Euller, aos 44, a torcida explodiu e voltou a acreditar no time.

Àquela altura, alguns torcedores que já se encontravam no túnel que leva para fora do Palestra, começaram a retornar às arquibancadas. O canto da torcida da casa sufocou o dos visitantes. Aos 46 veio o segundo gol e a euforia generalizada: lembro-me que cada jogador correu em direções diferentes após o gol; os gandulas invadiram o campo para comemorar; o goleiro do flamengo chutou a bola para o alto no ápice da sua raiva; e a torcida, não pode entoar um só grito em conjunto... o estádio estava eufórico e não tinha condições de cantar em uma só voz, tamanha era a emoção!

Poucos se lembram, mas o Fla quase estragou a festa aos 48, com um cruzamento da esquerda e um carrinho do lateral-direito Pimentel (ex-Palmeiras), que jogou a bola contra a trave esquerda do goleiro Marcos. A torcida do Palmeiras emudeceu, mas foi por menos de um segundo e, naquele momento, sequer poderia realizar o que seria se aquela bola tivesse entrado.

A capa do jornal LANCE! do dia seguinte trazia o título: ÊXTASE VERDE. Na TV, durante mais de uma semana, a imagem mais comentada foi a de um menino chamado Ênio, chorando desamparado no colo do pai. Seria aquela a sua primeira partida? De que forma será que aquela noite marcou aquele garoto?

A euforia foi total. E minha noite se acabou com a bandeira do Palmeiras tremulando dependurada no porta-malas do carro, enquanto eu, meu primo e alguns de seus amigos voltávamos buzinando freneticamente em meio a muitos outros pela Avenida Sumaré, berrando e cantando de forma alucinada e ouvindo as notícias e entrevistas pelo rádio.

Fico imaginando o que deve ter pensado uma pessoa que não goste de futebol, naquela avenida. Algum transeunte que sequer soubesse da realização de uma partida naquele dia. Deve ter ouvido assustado o estádio explodir com o terceiro e quarto gols. Deve se ter perguntando se o Palmeiras havia sido campeão, se o jogo era uma final, ficando surpreso ao saber que não se tratava de nada disso. Esta pessoa jamais comprenderá, provavelmente, que ainda que fosse um amistoso, teria sido demais. E aí está uma beleza do futebol e do esporte em geral: sua capacidade de criar emoção e beleza a partir do nada, e ao mesmo tempo, com fundamento em muita história.

Um pouco dessa emoção e dessa história pode ser vista no vídeo abaixo. Mas há muito mais em torno dessa partida e da sensação dos torcedores que estavam naquele estádio, como os confrontos com o Corinthians na Libertadores daquele ano. Mais do que ganhar o jogo e classificar-se, calar a torcida Corinthiana engendrada na massa rubro-negra teve um prazer especial. Afinal, o Palestra Itália já era (e sempre será), o nosso estádio, a nossa casa. Como poderíamos deixar impune um visitante tão mal-educado?

Naquela noite, ainda, destaco algo que me serviu de lição (também) para o resto da vida: observar a raça do jogador Paulo Nunes, que nos três gols do Palmeiras no segundo tempo foi recolher a bola no fundo das redes, mesmo quando tudo já parecia perdido.

Prova de que, mais do que um simples entretenimento, o futebol (e o esporte) pode educar e ser uma escola na vida. Aquele atleta, naquele dia, me marcou e me ensinou a acreditar que não há vitória perdida enquanto a história não tiver chegado ao fim, que não há derrota certa e que é importante acreditar no impossível.

Já dizia Fernado Pessoa, afinal: "Tudo vale a pena quando a alma não é pequena."

A minha, certamente, não é!
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A propósito: recentemente o Euller deu uma declaração sobre esse jogo: "Nunca vivi algo parecido com aquilo. Lembro que o estádio estava lotado e, mesmo quando perdíamos por 2 a 1, sentíamos uma vibração muito forte. A torcida incentivando e o grupo acreditando. Foram dois gols mágicos, que jamais sairão da minha memória." Veja no Globoesporte

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Mais de um ano depois do post mais um video do Sportv que vale a pena ver, com uma longa entrevista com o Euller. O Sportv podia ter caprichado mais, mas tá legal. O importante é que ficou o registro.

Vai abaixo, em duas partes

Parte 1:


Parte 2:


Destaque para o Rodrigo Mendes falando que foi o jogo mais emocionante da carreira dele. E para a torcida cantando Galvão, viado. hahaha. Muito bom!

Tem algum conteúdo pra indicar a respeito? Deixe um comentário!!!

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Crônicas de um Palestrino - A Pré-Temporada

Janeiro...
Mês da ansiedade, expectativa, indefinição.

Pré-temporada é assim: a diretoria trabalhando em segredo e o torcedor, eu, com o coração na mão, batendo torto, arrítmico.

Primeiro dia de trabalho, pós-reveillon, e eu já não podia suportar. Sentar naquela mesa de novo, olhar para aquele mesmo computador, aqueles mesmos colegas, os mesmos problemas, as eternas pendências. Tudo angustiante. No pós-reveillon, com tantos planos de mudança, tudo tão eternamente velho, empoeirado.

Alguns dizem que a vida é assim. Pode até ser, mas eu não aceito. Se for, não é um porre. É a ressaca de um porre.

Eu cheguei, eu me sentei. Até pensei que um café, uma água e um banheiro fossem melhorar a situação. Talvez checar meus e-mails... hmmm, isso sim, mais interessante. Mil formas de procrastinar, evitar o início do ano velho.

O café acabou, os e-mails das férias também. Fiz até uma limpeza na caixa postal... e minha cabeça continuava lá, longínqua.

Depois de tantos anos, de tantas decepções, de severas humilhações, será que eu poderia, de novo, sonhar? Será valeria a pena acreditar? Acreditei, e pus minha crença toda neste espírito de renovação. Time base bom, técnico novo e de ponta, lateral novo e promissor, atacante novo e com fama de matador. Gênios mantidos. Operários mantidos. Lá vamos nós, em busca do que nos falta, nos assola, nos atormenta: uma taça, por mais simples que seja.

Aos 25 anos, sou de uma geração de palmeirenses que não se acostumou a perder. Aos 11, vi meu time sair da fila e sequer compreendia o que estava acontecendo. Com o título paulista, comecei a pegar gosto pelo futebol.

Seguiu-se uma geração de ouro, de conquistas, de viradas históricas, dentre as quais destacou-se a semifinal da Copa do Brasil: Palmeiras 4 x 2 Flamengo.

E a essa geração, seguiu-se a geração derrotada que perdura, desde o ano 2000 até hoje, que incluiu uma queda para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro.

Hoje, com novas perspectivas, com nova diretoria, com novo patrocinador, a esperança se renovou. E sentado na mesa do trabalho, praticamente não consigo fazer outra coisa que não seja acompanhar as contratações e o desenho do time.

Em pauta, a rivalidade Grêmio x Palmeiras de tantas brigas, dessa vez na luta por um jovem jogador: Diego Souza.

Na mesa do trabalho, enjaulado em frente ao computador, pouco posso fazer, além de navegar pelos sites que me trazem notícias do meu time do coração. Para burlar o monitoramento do trabalho, uso a assinatura RSS, e só entro nos sites quando sei que há novas notícias: umas 20 vezes por dia, no mínimo, em três sites diferentes, fora os estrangeiros, quando as negociações envolvem times de outros países.

E assim vai se montando a equipe. E assim minha obsessão vai sendo alimentada. E se a notícia não sai, eu sofro.

Que será quando a temporada começar, impossível saber: por enquanto, só me resta expectativa...

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