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sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Crônicas de um Palestrino 5 - Pré-temporada 2

A pré-temporada é o ano novo do futebol.

Encerrado o período de festas, surge aquele ânimo de sonhar com dias melhores para o ano seguinte. Fazemos planos, renovamos as energias, sonhamos sonhos mais altos. Começado o ano, tentamos abandonar velhos hábitos e incorporar novos, perder a barriga, nos alimentar melhor... enfim, tentamos progredir. Quando menor, por exemplo, lembro-me de me prometer tomar banho todos os dias no ano seguinte. A virada do ano promoveu um grande avanço em minha vida, sem dúvida.

Quando as mudanças não dependem dos outros o exercício de mudar é muito mais simples e gratificante. Basta virar o ano e lá vamos nós, correr todas as manhãs antes do trabalho, economizar dinheiro, consumir cultura...

Já quando as mudanças dependem dos outros, a angústia é interminável. A ansiedade por dias melhores nos aflige a atormenta. Este é o caso dos meus últimos dias, em um campo específico da vida, que é o campo do(e) futebol.

Assim como no “mundo real”, encerrado o ano (Campeonato Brasileiro) todos os torcedores em algum momento param para fazer aquele balanço e passam a sonhar e planejar o ano seguinte. Para o torcedor palmeirense, entretanto, virou o ano e aqueles sonhos de vôos mais altos chocaram-se com o duro chão da realidade. Dois mil e nove deveria ser “o” ano. Essa era a promessa que tanto ouvimos. Mas a mudança para melhor tão desejada (que de nós nada depende) tem demorado a acontecer e as novelas das contratações parecem intermináveis.

Assim, compulsivamente, reviro três ou quatro sites de notícias e a blogosfera especializada atrás de alguma notícia animadora, mas o destino não quer dar paz à este verde coração.

E assim meus dias neste campo seguem aflitos. Enquanto tento me livrar de velhos hábitos e procurar um rendimento mais eficaz no trabalho, a distração compulsiva e a preocupação permanente me movem a clicar repetidas vezes nos RSSs de notícias do verde.

E fico a me perguntar, com uma pulga atrás da orelha: quantos, como eu, estarão a fingir que trabalham neste exato momento?

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E antes de postar isso tudo, vejo através deste blog que eu mesmo, 363 dias atrás, vivia a mesma situação de ansiedade. Naquela ocasião, com menos novidades e motivação para o “mundo real”, mas carregando muito mais otimismo no enorme espaço verde do meu coração.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Guernica e Gaza


Em 1937, a cidade de Guernica, do País Basco, foi bombardeada pela força aérea Nazista.

Um gênio, Pablo Picasso, retratou os horrores desta guerra na tela que levou o nome da região bombardeada. Guerra que vitimou não só o povo basco, mas acima de tudo e principalmente, o povo judeu.

Mais de 70 anos depois, não posso crer no que vejo, leio. Só tenho uma certeza. Este povo e (ou seus governantes) não aprendeu nada com as lições do passado. A minha revolta é enorme, e torço para que um Picasso palestino possa eternizar a vergonha de Israel com talento semelhante.

Shame on you Israel. Shame on you.

Sabemos que a paz ainda é mais importante. Eles não. Eles estão surdos.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

... e um ótimo 2009.

Provavelmente o post que encerrará minha atividade por aqui em 2008.

E ele vem cheio de acidez, em um momento em que cada vez mais, eu ando com olhos bem abertos e punhos bem cerrados para enfrentar o mundo hostil que se avizinha.

Não falo em crise econômica, nem em vaidades profissionais ou algo do tipo. Falo no conflito de interesses humanos, no nosso lado animal e egoísta que nos joga permanentemente uns contra os outros. Pra essa gente, cada dia mais, eu digo chega! E cada vez mais, de maneira equivocada, penso que tenho que cuidar mesmo é dos "meus", meus amigos, meus familiares, meus problemas.

E para 2009, penso em entrar com força redobrada para superar os atrasos de vida impostos pelos outros, pelo bandido, pelo corrupto, pelo malandro, pelo egoísta vaidoso.

Para 2009, eu gostaria de desejar muita paz, saúde, alegria, e todos aqueles clichês que estamos acostumados a ouvir e repetir. Do fundo do coração, eu desejo. Do fundo do coração, até sonho com isso. Do fundo do coração, no meu dia a dia, trabalho por isso. Mas deixando o coração um pouco de lado e colocando a razão para funcionar, o que eu desejo é que todos estejam fortes e lúcidos para lutar contra os absurdos cotidianos que assistimos. Que estejam fortes e lúcidos para abrir mão do próprio ego quando é ele que nos atrasa.

Se assim, estenderem as mãos para mim, eu as receberei com um sorriso no rosto e braços abertos. Mas em 2009, quem vier cheio de ego e de si, cheio de "eu, eu, eu" e, acima de tudo, querendo colocar este "eu" sobre mim, encontrará punho cerrado e faca nos dentes.

Esta não devia ser a tônica num momento de renovar as esperanças. Mas é!

Racionais Vida loka parte 2


A mesma, ao vivo no Ensaio da TV Cultura.


Sangue nos olhos à parte, que 2009 seja um ano mais leve e menos competitivo...

Do YouTube 4 - Insane dog

Mais uma desses pequenos fenômenos da internet. Nem se compara àquele que eu exibi aqui, pelo menos no número de visualizações. Mas é extremamente interessante (além de engraçado) por exemplificar a cultura do remix existente hoje na rede.



E os remixes:

No. 1 - Música eletrônica:


No. 2 - Jazz

Feliz Natal...

Ainda que com atraso, reproduzo pequenos trechos de um excelente artigo do Frei Betto, que li no dia do natal na Folha de S. Paulo. Vale a pena ler com o dicionário do lado, pois o cara é "muita treta" de vocabulário.

O pequeno trecho, em destaque na folha: "Feliz Natal a todos que pulam corda com a linha do horizonte e riem à sobeja dos que apregoam o fim da história."

Mas tomo a liberdade de destacar outros trechos deste artigo que, com certeza, é uma das coisas mais bonitas que li ultimamente:

Feliz Natal a quem não planta corvos nas janelas da alma, nem embebe o coração de cicuta, e coleciona no espírito aquarelas do arco-íris.

Feliz Natal a quem acorda todas as manhãs a criança adormecida em si e, moleque, sai pelas esquinas a quebrar convenções que só obrigam a quem carece de convicções.

Feliz Natal a quem recolhe cacos de mágoas pelas ruas para atirá-los no lixo do olvido e se guarda no recanto da sobriedade.

Mesmo não sendo religioso, acho que as lições deste artigo estão realmente em falta na mente da maior parte das pessoas. Vale conferir.

domingo, 9 de novembro de 2008

Euforia


Diz um ditado chinês: "a prudência é o olho de todas as virtudes".

Sonhar não faz mal, muito pelo contrário. Já afirmei e reitero que o sonho nos move e nos impulsiona a realizar, existir. Mas é preciso estar alerta.

Com a eleição de Obama muita esperança aparece no horizonte. É verdade!!! É simbólico (e uma transformação muito real) ter um negro no comando da maior potência mundial.

Mas Obama não é Deus. Obama é só um homem.

Obama conta com grande apoio popular e assume em um momento de crise, propício à transformações conceituais e políticas. Mesma crise que pode minar as forças de seu governo.

Obama dá aos EUA cores mais democráticas, não só mais Democrata. Faz os EUA guinarem em nova direção, mais progressista. Mas não significa, necessariamente, que os EUA adotarão uma política menos belicista, menos agressiva ou hegemônica em relação ao resto do mundo.

No discurso de Obama ainda existem muitos traços do patriotismo exacerbado estadounidense. Patriotismo que contamina a mídia e que se traduz como uma euforia praticamente incontestada ao redor do mundo. Um patriotismo tão perigoso, que permitiu a Bush minar algumas liberdades fundamentais da democracia de seu país.

A euforia da mídia cega para algumas verdades. O planeta depende de Obama, mas Obama não vai salvar o planeta.

Pés no chão com questões tão delicadas e sensíveis não fazem mal. Sonhar entre nuvens que embaçam a realidade sim.

A eleição de Obama é certamente um avanço. Mas é só o princípio de uma jornada longa e que se faz passo a passo, por caminhos muito tortuosos, cheios de avanços e retrocessos.

Escolhas erradas conduzem não só a tragédia, mas à sabedoria. A escolha de Bush foi assim.

Uma grande expectativa frustrada (desilusão) também pode conduzir à sabedoria... ou à uma onda pungente de alienação. O Brasil passa por isso.

Obama tem uma grande oportunidade nas mãos. Se vai conseguir aproveitá-la, só o tempo dirá.

Mas Obama é, antes de tudo, um homem. Tão falível quanto qualquer outro.

Sem deixar o otimismo de lado, recomenda-se sempre prudência e atenção. E que nesse caso sonhar, seja sonhar com os pés no chão.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Do YouTube 1 - O Segredo da vida

Já que o espírito é circular e compartilhar, inicio uma nova série no blog, com vídeos do Youtube...

E o primeiro da série que se inicia é este que vi outro dia e que achei muito bom, chamado Das Rad (Pedras). Me lembrou aquela música do Raul Seixas que dizia assim:
"aprendi o segredo, o segredo, o segredo da vida,
vendo as pedras que choram (sonham) sozinhas no mesmo lugar"



É... a gente tem muito o que aprender com essas pedras!

terça-feira, 30 de setembro de 2008

MySpace Música 2 - Wado e VulgoQinho&osCara

Como o MySpace é realmente incrível pra quem gosta de música e como eu acho que a informação tem mais é que circular mesmo, decidi criar um título só pras dicas de sons encontrados por lá.

Então toda vez que você ver esse título aí em cima, terão umas duas ou três dicas de bandas interessantes encontradas por lá.

A primeira é uma que já encontra algum espaço por aí (tocaram no SESC outro dia), chamada VulgoQinho&osCara. Se gostar do som, vale a pena dar um conferida no site dos caras.. A banda faz um rock/MPB bem interessante, melódico e com vocais excelentes. Eles fazem uma ótima versão da Música Juízo Final de Nelson Cavaquinho e Elcio Soares. As músicas próprias também são muito boas e com letras inteligentes.

Também recomendo um artista chamado Wado, de Maceió. Suas músicas são extremamente criativas e bastante inovadoras, com bastante experimentação eletrônica. As letras são muito bacanas. Gostei bastante das faixas 'Fita Bruta', 'Pendurado' e 'Fortalece aí'.

Hoje é isso. Ia indicar mais uma mas prefiro ouvir direitinho antes pra ver se é bom mesmo.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

O mundo vota Obama

Estratégias de marketing à parte, poder manifestar a simpatia por Obama (ou McCain) é muito interessante.

É o que permite o site da Economist: http://www.economist.com/vote2008/

Para entender melhor a brincadeira (que é coisa muito séria), acesse a matéria "O mundo decide" da Brasileiros.

E para encerrar, deixo a foto chupinhada do excelente blog Trabalho Sujo:

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Música na Net 4 - Dicas no MySpace

Realmente, pra quem gosta de música e tem curiosidade para investigar na internet, a comunidade do MySpace Música é um prato cheio. Está devidamente adicionado aos links musicais no lado direito da página. Se você gosta de ir atrás de música nova, vale dar uma conferida nestes links.

Do que eu andei pesquisando ultimamente, deixo as seguintes dicas, algumas que podem inclusive ser baixadas no site do MySpace:

Moptop - Banda de rock brasileira e que canta em português com letras bem interessantes. Me fez lembrar algo entre Los Hermanos (especialmente pelas letras mais sensíveis) e com uma influência de algo como Strokes. Possui um instrumental bem trabalhado. Gostei especialmente das músicas "desapego" e "como se comportar", que dá nome ao "disco".

Renegado - Rap/Hip-Hop de Minas Gerais - Destaque para a mistura com música cubana em "Conexão Alto Vera Cruz Havana".

Shout Out Louds - Banda que me lembrou em diversos momentos a banda "The Cure". Possui um instrumental inovador e com passagens bastante criativas. Vale conferir. E vai tocar em SP no Studio SP hoje e amanhã!

Pra encerrar (mesmo que eu não tenha terminado), deixo a dica da banda Zuco 103 - Banda que está em turnê pela Europa, mas que é pouco conhecida (eu nunca havia ouvido falar) aqui no Brasil. A cantora me lembrou muito a Céu, mas tem estilo próprio. Destaque para a música "She, que trata de um tema pouco agradável de maneira muito criativa: a violência doméstica.

Viva o MySpace. E viva a música na internet.

sábado, 6 de setembro de 2008

Drunk Post 2

Sábado,
o passeio de todos os passeios
cínico, sonso, bobo e enganador.

Um sorriso amarelo pra lá
Boa noite, bem vindo.
Um aperto flácido de mão,
como está, e a família?.

Dinossauros se cumprimentam e decidem o futuro.
E você, eu...
tentando entender.
as novas instâncias de poder.
Tentando poder.

A pele vai enrugando,
e eu sentado nesta antiga poltrona,
tentado ser eu,
algo autêntico
e sendo um espalhafatoso e inútil
retrato comum,
do que há de mais comum,
e quer mudar sempre pra melhor.

Dedos aleatórios dão nisso,
palavras soltas,
mas tão carregadas de significado.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Música na Net 3 - Jazz diferente

Som muitíssimo interessante da galeria do Jamendo, da banda chamada Suerte.

A banda traz neste album de 4 faixas um jazz diferente, alternando ritmos e com algumas experiências bem interessantes.

A primeira (Sieste Ocho), estilo jazz, é bem inovadora, e provavelmente a mais legal, misturando sopro com cordas (bandolim) e com uma bateria bem sincopada (quebrando o ritmo e a monotonia da música).

Nas outras faixas, o alto nível é mantido. A segunda faixa (Court-circuit) destaca-se pelo Sax e pela constante alternância de ritmos. A terceira (Long Cours) inverte o protagonismo dos instrumentos, deixando o bandolim mais em destaque e passeando muito bem pela variação de ritmos.

A quarta faixa (Pastèque), por fim, é a que dá nome ao album virtual. Fecha com um som mais metalizado, mas bastante fluente e animado.

Fica a dica para quem está atrás de um som diferente. E o melhor: a obra é licenciada em Creative Commons e não obriga ao pagamento de direitos autorais para uso privado e sem intuito de lucro. Pode baixar o CD.

Para apenas ouvir, clique no play:

  

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Notícia do dia - Educação em alta

Impressionante por duas coisas:

em primeiro lugar, pela articulação entre as diversas esferas de governo, algo que já tinha sido elogiado nos investimentos nas favelas no RJ e SP.

em segundo, por conta do fenômeno Nordeste. Não só a região brasileira que mais cresce, como também a que mais melhorou os índices de educação.

Se assim continuar, antes do que esperado nós veremos a queda do coronelismo na região. Coronelismo que, muito provavelmente, se transformará em algo mais parecido com este novo poder de influência que se observa hoje nos grandes centros urbanos.

Enfim, é esperar para ver. Oxalá este fenômeno se repita em breve, no Norte e Centro-Oeste brasileiros.

Em tempo: a notícia é do Estado de SP de hoje.


Ensino básico supera meta no Ideb

Índice de qualidade para 2009 é atingido em 2007; mesmo assim, Brasil fica abaixo dos países desenvolvidos

Renata Cafardo

A educação básica pública brasileira superou em 2007 as metas de qualidade determinadas pelo governo federal para 2009. É o que revelam os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que será divulgado hoje pelo Ministério da Educação (MEC).


O Ideb foi criado no ano passado pelo governo e leva em conta as taxas de aprovação, abandono escolar e o desempenho em duas avaliações nacionais feitas em 2007, o Saeb e a Prova Brasil.

Segundo dados aos quais o Estado teve acesso, a nova média brasileira de 1ª a 4ª série é 4,2. O Ideb vai de 0 a 10. No ano passado foram divulgados os índices com relação às avaliações de 2005 e a média era de 3,8 (crescimento de 10,5%). No entanto, a meta que tinha sido traçada para que o País alcançasse em 2007 era de 3,9. Chegou, inclusive, ao objetivo para 2009, que era 4,2.

Segundo informações do MEC, o Nordeste foi a região que mais contribuiu para o aumento da nota do País. As médias dos nordestinos superaram as metas de 2007 e de 2009. Minas Gerais foi o único Estado que não atingiu a meta de 2007 entre 1ª e 4ª série. No nível de 5ª a 8ª, apenas Amapá e Pará não o fizeram.

O Ideb obtido por alunos de 5ª a 8ª série no Brasil foi de 3,8, o que representa aumento de 8,57%. Nesse nível de ensino, a meta para 2007 já tinha sido atingida (3,5), mas agora passou também o índice previsto para 2009, que era de 3,7. O ensino médio teve a média mais baixa, de 3,5, mesmo assim igualou a meta de 2009.

“É um ótimo resultado, mas as metas dos anos iniciais foram colocadas em níveis muito baixos”, diz o educador da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Francisco Soares, ressaltando que mesmo as médias já obtidas continuam num patamar abaixo de países desenvolvidos. “No entanto, isso mostra que estipular metas e cobrar esforços traz efeitos.” Segundo ele, já que o País saiu de índices muito baixos, haverá mais dificuldades a partir de agora para melhorar.

“Foi a primeira vez que o Brasil teve um regime de colaboração. Antes, os sistemas estaduais estavam fazendo uma coisa, os municipais, outra e o MEC, outra”, diz a presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), Dorinha Seabra Rezende. Segundo ela, iniciativas como o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), do MEC, e o movimento Todos pela Educação, organizado por empresários para apoiar a área, ajudaram nesse sentido.

Dorinha também é secretária da Educação de Tocantins, um dos cinco Estados que mais se destacaram no Ideb 2007. Além dele, Acre, Maranhão, Paraná e o Distrito Federal atingiram as metas de 2007 nos três níveis de ensino. Esses Estados melhoraram todos seus indicadores, como quantidade de alunos na série adequada para a idade e notas no Saeb e na Prova Brasil.

O crescimento de Tocantins chama a atenção porque em 2001 era o pior Estado em desempenho nos exames. Hoje, com uma rede pública de 560 mil alunos, tem um dos maiores salários de professores do País. “Nosso segredo é o monitoramento das escolas”, diz a secretária. Segundo ela, nada foi facilitado para que os alunos se saíssem melhor. A média passou de 5 para 7 nas provas e não há progressão continuada (os estudantes precisam passar de ano em todas as disciplinas). Projeções do MEC indicam que países desenvolvidos teriam Ideb 6,0. Hoje devem ser divulgados índices de todos os Estados.
COLABOROU SIMONE IWASSO



NÚMEROS

4,2 é o Ideb de 1.ª a 4.ª série
que representa um crescimento de 10% com relação ao índice de 2005, quando era de 3,8

3,8 é o dos alunos de 5.ª a 8.ª
que, em 2005, tinham média 3,5. Já estavam na meta de 2007

3,5 é o Ideb do ensino médio
que estava em 3,4 em 2005

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Em tempos de aquecimento global 4

Ainda sobre este assunto: duas notícias que não podem passar em branco, ambas veiculadas no Estado de S.P.

A primeira, no Estado de ontem, diz que a velocidade dos ônibus em São Paulo chega a atingir 2km/h na hora do rush. Outra, de hoje, divulga pesquisa realizada pelo Idec, na qual se revela que o preço das passagens de metrô em SP e RJ é proporcionalmente mais caro que nos outros países pesquisados.

Qualquer relação com trânsito, poluição e emissão de gases estufa será mera coincidência?


terça-feira, 13 de maio de 2008

Em tempos de aquecimento global 3...

Mais uma notícia para parar e pensar: o que será que isso tem a ver com o já aqui mencionado??? O que será que tem a ver com nossos hábitos, nosso modelo de desenvolvimento.

Não se trata só de trânsito, do tipo de combustível e energia que produzimos. Trata-se da organização espacial do trabalho, do modo que vivemos, da paixão pelo crescimento, pelos grandes negócios, do nosso excesso de individualismo.

Sei que é óbvio. Mas não custa lembrar.

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Taxa de CO2 na atmosfera bate recorde em 2007

O nível de concentração na atmosfera de dióxido de carbono (CO2), o principal gás do efeito estufa, bateu novo recorde. De acordo com o observatório de Mauna Loa, no Havaí, o índice em 2007 chegou a 387 partes por milhão (ppm) - cerca de 40% a mais do que havia antes da Revolução Industrial, no século 19.

Essa é também a mais alta concentração nos últimos 650 mil anos, de acordo com dados paleoclimáticos. O observatório é o centro mais tradicional de medição de CO2 no mundo, realizando análises ininterruptas desde 1959. Partiu dali o primeiro alerta de que a quantidade de gás cresce anualmente, confirmado depois por outras fontes.

Os dados ainda são preliminares e foram publicados no site da Noaa (www.noaa.gov), a agência americana de atmosfera e oceanos. Eles mostram também que, além da concentração recorde, a taxa de crescimento entre 2006 e 2007 foi alta, de 2,14 ppm. Em 2006, ela foi de 1,72 ppm. Nos últimos dez anos, essa é a 5ª taxa mais elevada, depois de 1998 (3 ppm), 2002 (2,55), 2005 (2,53) e 2003 (2,31). Entre 1970 e 2000, a concentração cresceu cerca de 1,5 ppm por ano.

A estimativa de crescimento anual de Mauna Loa pode ser diferente da média global. Contudo, os cientistas do observatório estimam que a diferença é pequena, de cerca de 0,26 ppm.

A concentração de CO2 na atmosfera e de outros gases, como o metano (NH4), emitidos especialmente por atividades humanas, é a causa do efeito estufa exacerbado e do aquecimento global que ocorrem hoje, segundo o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC).

Atualmente, o único acordo global que visa reduzir a concentração de CO2 é o Protocolo de Kyoto, em vigor desde fevereiro de 2005.

Ele, contudo, está distante do necessário: é voltado apenas para os países desenvolvidos, que devem cortar suas emissões em 5,2%, em média, até 2012.

Fonte: http://www.estado.com.br/editorias/2008/05/13/ger-1.93.7.20080513.6.1.xml

segunda-feira, 24 de março de 2008

Rádio DoGómez no ar... e pés no chão.

Finalmente, consegui colocar no ar a Rádio DoGómez, sincronizada com meu iTunes, além de tudo. À princípio, a rádio deveria trazer só coisas interessantes e novas, que eu julgasse não ser de conhecimento comum.

De qualquer forma, ela compartilha um pouco do meu gosto musical e, por que não, pode trazer alguma novidade para alguém, relembrar uma canção esquecida, sei lá... Aceito críticas e comentários.

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Rádio à parte, o blog atinge a marca de 400 visitas únicas. Será que chega nas mil? Definitivamente não é o que mais importa.

O que mais importa é saber que há mais alguém por aí interessado em sonhar com os pés no chão.

E assim, se voa longe... Tomara!

sexta-feira, 14 de março de 2008

Clássico

Sensibilidade à parte, vai ter clássico no domingo.
 
Não que isso seja motivo para colocar os textos mais emotivos de lado. Justamente o contrário: clássico é emoção e há muito o alvi-verde não tem um elenco tão capaz de medir forças com o tricolor.
 
De um lado, um time aspirante à títulos, mais bem encorpado, em melhor fase e com mais sede de vitória. De outro, um time que na história recente ficou habituado a vencer e em evolução, sem débitos com sua torcida e com jogadores experientes e perigosos.
 
Para por ainda mais pimenta, o jogo é decisivo para as pretensões de classificar de ambos os times.
 
Qualquer palpite é perigoso. Mas o coração alvi-verde palpita mais, mais aflito, ansioso por qualquer pequeno troco que possa ser dado aos tricolores pelo passado recente.
 
Tem tudo para ser um jogão.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Notícia do Dia - Buratti e Palocci: o quanto custa

O quanto custou a liberdade desse senhor?
Quanto lhe custou para retratar-se das denúncias?
O fato é que, além dos custos emocionais (a que me refiro) que com certeza lhe foram cobrados, fica a desconfiança de toda a sociedade, quanto aos motivos da presente retratação.
 
Se for verdadeira, ela simboliza justiça à alguém acusado injustamente, indicando um grave problema de coação do MP e da Polícia.
 
Se for falsa, representa a completa desmoralização.
 
Mas isso, nós mortais jamais vamos saber.
No dia em que explode a notícia de que Fidel renunciou, deixo o destaque para a novela de bastidores.
 
 
Buratti recua e registra em cartório depoimento que inocenta Palocci

Empresário retira tudo que disse em 2005, perante CPI e força-tarefa,passando de algoz a aliado do ex-ministro

Fausto Macedo

O trunfo secreto do ex-ministro Antonio Palocci está sob custódia de um tabelião de notas em São Paulo. Trata-se de documento de 128 linhas distribuídas em quatro páginas de um volume capa preta, o livro 2.713.

É uma escritura de declaração, na prática a retratação de Rogério Tadeu Buratti, advogado, empresário, 45 anos, testemunha-chave do Ministério Público e da polícia no cerco ao ex-ministro da Fazenda do governo Luiz Inácio Lula da Silva.

Buratti, antes algoz de Palocci, virou seu aliado.

Retirou tudo o que afirmou em 19 de agosto de 2005, sob as formas e advertências da lei, perante seis promotores de Justiça e um delegado de polícia graduado. Também desdisse o que declarou à CPI dos Bingos.

Em todas essas instâncias, ele fustigou Palocci, a quem imputou desvios, fraudes, envolvimento em esquema de propinas. Fez as acusações "de livre espontânea vontade", conforme consta do seu depoimento formal à polícia.

Agora, Buratti isenta e inocenta o ex-ministro, hoje deputado federal pelo PT de São Paulo, de toda e qualquer irregularidade. Inclusive da responsabilidade pelos contratos do lixo que teriam sido superfaturados no gestão de Palocci na Prefeitura de Ribeirão Preto (SP).

Estimativa do Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado, braço do Ministério Público que investiga casos de corrupção, aponta rombo de R$ 30 milhões - valor relativo a medições falsas de coleta e varrição - nos cofres públicos do município, que Palocci administrou em duas ocasiões. O segundo mandato ele cumpriu pela metade, de 2000 a 2002, quando deixou o cargo para assumir a coordenação da campanha de Lula à Presidência.

'INVERÍDICAS'

"São inverídicas as condutas atribuídas ao ex-ministro Antonio Palocci Filho", declara Buratti, por escrito. Ele recua categoricamente da denúncia sobre o mensalão de R$ 50 mil, quantia que, segundo afirmou à polícia antes, era repassada a Palocci pela Leão & Leão, empresa contratada para coleta de lixo. "Não é verdade que a Leão & Leão deu contribuição mensal, no valor de R$ 50 mil, ao prefeito Antonio Palocci Filho ou ao falecido secretário da Fazenda Ralf Barquete, para que o dinheiro fosse repassado ao Diretório Nacional do PT, ou para qualquer outra finalidade", assinala o empresário.

A nova versão de Buratti foi registrada em cartório extrajudicial, a 28 de junho de 2007 - 22 meses depois das acusações feitas ao ex-ministro.

Suas declarações são agora a peça crucial da defesa de Palocci e estão a caminho do Supremo Tribunal Federal (STF), instância máxima da Justiça, que analisa denúncia do Ministério Público contra ele. O ex-ministro detém prerrogativa de foro porque é parlamentar.

O relato de Buratti pode enfraquecer a tese central da promotoria porque era ele o ponto de partida da ofensiva contra Palocci e a base da acusação.

"A delação do Buratti teve peso decisivo na investigação", avalia Benedito Antonio Valencise, delegado-chefe da Seccional de Polícia de Ribeirão Preto, que presidiu o inquérito do lixo. "Graças ao depoimento dele, estouramos todo o esquema. Pelo caminho que o Buratti deu chegamos lá."

DUAS FASES

Buratti dividiu em duas fases sua retratação.

Na primeira, faz críticas à promotoria. Alega ter sido humilhado, "moralmente destruído, desmoralizado diante dos filhos e familiares".

O tabelião registra no documento: "Preocupado com a saúde de sua mãe, submeteu-se à vontade dos representantes do Ministério Público e da polícia, concordando com suas exigências para poder livrar-se das suas ameaças, que eram concretas, e daquela situação humilhante e constrangedora".

Afirma que "o estado de coação" continuou após o interrogatório policial e durante seu depoimento à CPI dos Bingos, "fazendo com que o declarante fosse tomado de pânico, temendo nova prisão diante das câmaras de televisão que transmitiam o evento para todo o País".

"Que sucumbiu diante das pressões e, contrariando orientação do seu advogado, submeteu-se à delação premiada, em troca da sua liberdade."

O segundo capítulo do documento preenche 13 linhas e é dedicado à reparação. "Nunca ouviu de Ralf Barquete a afirmativa no sentido de que este tenha recebido qualquer importância, com ou sem autorização de Palocci, também não sendo verdade que qualquer quantia tenha sido paga pela empresa referida anteriormente a Ralf Barquete a qualquer título durante a gestão de Palocci, por indicação deste último", acentua.

 

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Notícia do dia - O Senhor das Armas

Jobim,

de Ministro do STF, a Ministro da Defesa, a Senhor das Armas.

Jobim e Genro, segundo notícia da Folha, propõem reduzir os impostos para exportação das armas, para incentivar a indústria bélica.

Se fosse qualquer outro produto, eu até poderia concordar. Se o interesse de aumentar a venda de armas fosse visto como uma coisa estratégica (desenvolvimento tecnológico, segurança nacional), eu já ficaria "cabreiro", mas poderia até aceitar.

Mas quando observo que há um lobby da Associação Nacional da Indústria de Armas e Munições (bonzinhos eles, não?), não dá para ter outra opinião que não seja achar a proposta absurda.

Num dia, anuncia-se que o número de homicídios em SP caiu 19,48%, em 2007, com relação a 2006. O sucesso é atribuído ao Estatuto do Desarmamento.

No outro, propõe-se cortes de impostos para exportar. Ainda que o mercado desejado não seja o mercado interno, não faz sentido. Até pensando em segurança nacional: pra que armar nossos vizinhos?

A notícia, vai abaixo.

Ministros querem fim de imposto para arma Jobim (Defesa) e Tarso (Justiça) defendem a extinção da tarifa de exportação para países da América Latina e Caribe

Segundo o Viva Rio, a maioria das armas antes exportadas para os países vizinhos voltava para o Brasil clandestinamente

IURI DANTAS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Os ministros Tarso Genro (Justiça) e Nelson Jobim (Defesa) defendem, em documento, o fim do imposto de exportação de armas e munições para auxiliar a indústria bélica nacional. Tarso e Jobim formalizaram o apoio ao lobby das armas em 21 de dezembro, ao assinar o Aviso nº 35/MD, encaminhado ao colega Miguel Jorge (Desenvolvimento).
No documento, obtido pela Folha, os dois pedem a revogação do imposto de 150% sobre armas e munições vendidas pelo Brasil aos países da América do Sul e do Caribe -as vendas para Argentina, Chile e Equador não têm a taxa.
"Um grande esforço tem sido implementado para aumentar o volume das exportações, porém alguns óbices se interpõem a essa iniciativa, sendo um deles a resolução nº 17/Camex [Câmara de Comércio Exterior]", diz um trecho do documento.
O texto vai além e culpa o Estatuto do Desarmamento pelas dificuldades da indústria de armas no mercado interno. "A base industrial de defesa necessita dessas empresas e a publicação da lei 10.826, de 22 de dezembro de 2003, restringiu ao máximo a venda interna, só restando a essas empresas a possibilidade de exportação."
Embora assinado por dois atuantes ministros, o documento contempla o inverso do discurso do governo. Seis meses depois de receber a faixa presidencial, Luiz Inácio Lula da Silva pregava a taxação do comércio internacional de armas para a criação de um fundo mundial de combate à fome.
Mais: ao divulgar o Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros, o governo citou a campanha do desarmamento como um dos fatores de redução das mortes por arma de fogo.
A indústria faz campanha contra o imposto e diz que o Brasil perdeu as vendas para América Latina e Caribe, um mercado de US$ 12 milhões. "[Derrubar a taxa] É uma reivindicação há muito tempo, prejudica a atuação do Brasil", reclamou Ricardo Alfonsin, assessor jurídico da Associação Nacional da Indústria de Armas e Munições. A organização também tenta derrubar o imposto na Justiça.
O coordenador do programa de controle de armas do Viva Rio, Antonio Rangel, foi informado do assunto pela Folha. Ele telefonou ao Ministério da Justiça e foi informado que Genro seria contra a derrubada do imposto. "Não sei a posição do Jobim, mas a impressão é que ele está bastante desinformado. O risco é muito grande."
Segundo o Viva Rio, a maioria absoluta das armas antes exportadas para os países vizinhos voltava para o Brasil clandestinamente.
A reportagem procurou as assessorias dos ministérios da Defesa e da Justiça desde terça. A Justiça nada respondeu. A Defesa prometeu que se pronunciaria semana que vem.
O item foi incluído na pauta da reunião da Camex na terça, mas foi retirado para análise técnica.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Notícia do dia - Confusão de conceitos

A notícia que vai baixo, no geral, é positiva, mas impressiona pela confusão de conceitos e soluções. Conforme o Estado (dá pra confiar?) aponta, a PF editou manual para disciplinar a ação dos policiais. Segundo o jornal, as medidas foram tomadas muito mais em função de uma exigência política do presidente, do que pelos problemas vistos no passado.

O diário deixa de lembrar, entretanto, a grita da imprensa (uma demanda da sociedade?) em casos como o da Daslu, no qual se acusou a PF de espetacularizar a operação.

Pior que esta omissão, são as palavras de um delegado (supostamente estudado em direito) entrevistado na matérias, ao falar do uso das algemas como "símbolo do Estado exercendo seu poder de prisao". Em que pese o avanço no respeito ao preso (muitas vezes um suspeito, e não um criminoso condenado), faltou explicar ao delegado e à PF que as algemas só devem ser usadas quando o preso oferece perigo aos policiais, aos cidadãos, ou resiste à prisão e tenta fugir. Um indivíduo desarmado que se entrega, deve ser punido pelos crimes que tiver cometido, mas não precisa ser algemado para tanto.

A ânsia por um País onde não haja tanta impunidade, entretanto, nos deixa tentados a aprovar o reprovável.

Algemas e espetacularização à parte, a PF tem dado um bom exemplo no combate à corrupção. Melhor seria se o Poder Judiciário julgasse os crimes que a PF investiga. Para tanto, a estrada é longa. Mas o que importa é caminharmos para isso.

A notícia, vai abaixo.

PF lança manual para disciplinar ação dos agentes

Apesar de aprovar uso de algemas, novo código veta exposição do preso e prevê substituição de camburões

Vannildo Mendes, BRASÍLIA

Sete meses depois de ser censurada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Polícia Federal editou um manual de operações para disciplinar as ações do órgão. Consideradas pirotécnicas - com prisões e arrombamentos de portas registrados em vídeo e repassados à imprensa -, as megaoperações aborreceram o Planalto. Em outra ocasião, Lula reclamou dos excessos da Operação Navalha, que desbaratou esquema de fraudes em licitações públicas e derrubou Silas Rondeau do Ministério de Minas e Energia.

O novo manual, apresentado ontem pelo diretor-geral da PF, delegado Luiz Fernando Corrêa, reforça o uso de algemas como “regra de segurança”, mas veta a exposição de presos, sob pena de punição disciplinar ao policial infrator. Em junho passado, Lula reclamou que, em razão de “problemas internos” e “brigas políticas”, estaria “pingando” informação da PF para jornais sobre o suposto envolvimento de seu irmão, Genival Inácio da Silva, o Vavá, num esquema de lobby.

O documento introduziu na estrutura operacional uma equipe de custódia, encarregada de facilitar o acesso dos advogados aos autos dos inquéritos e aos seus clientes. O velho camburão será substituído por um novo tipo de viatura para condução de presos, cujo protótipo já foi encomendado à indústria e está em fase de finalização. “A algema é o símbolo do Estado exercendo seu poder de prisão, mas o sucesso da PF não deve ser marcado pela imagem de alguém sendo jogado num camburão”, disse. O objetivo, conforme Corrêa, é observar o respeito aos direitos humanos e a dignidade do preso, sem prejuízo ao combate ao crime, à segurança das operações e ao direito de a imprensa informar.

Elaborado na gestão do ex-diretor Paulo Lacerda, o manual de operações entra em vigor após sofrer algumas correções pela nova cúpula da PF. Seu objetivo é padronizar as atividades de gestão e planejamento da principal polícia brasileira no combate à corrupção e ao crime organizado. Entre outras medidas, o manual estimula o oferecimento da delação premiada desde a primeira fase da investigação, não mais apenas na fase conclusiva.

O documento prescreve até os tipos de roupas adequadas, conforme a situação: ostensivo, a ser usado nas operações de praxe, que exigem pronta identificação policial; e o social, previsto para ocasiões que exigem discrição ou em diligências em repartições públicas. Todo policial terá uma pistola de 9 milímetros como arma obrigatória, independentemente das armas especiais conforme o risco da operação e das de uso pessoal.

O manual divide os procedimentos dos policiais em três fases. A primeira, o início da investigação, ampara-se no trabalho de inteligência e no monitoramento intenso dos suspeitos, inclusive com escuta ambiental e telefônica. “Mas só com autorização judicial e como recurso complementar na obtenção de provas, como manda a lei”, explica Corrêa. A fase seguinte é a ostensiva, em que ocorrem as prisões e mandados de busca e apreensão nos endereços dos investigados. A ordem é evitar a exibição de presos algemados para as câmeras.

A última fase é a conclusão do inquérito, com novidades para facilitar o manuseio pela Justiça, procuradores e advogados, como índice para localização de todas as peças e mídia com links para as provas.