Verso avesso ao vício,
Verso bobo,
Verso caro,
Verso triste,
Verso só
Verso a vida
Inconsistências de todos os tipos.
Sei que as palavras
e o que digo
repercutem.
Sei que minhas mágoas
e o que sinto
há quem escute.
Mas sei também, que mundo afora, há crueldade,
a vida é dura. A nua e crua: realidade.
Para o meu bem, existe a hora, da alegria
e há dor pura, de amargura e nostalgia
Se repercute e há quem escute, estes meus gritos
Me insatisfaz que sejam letras e não berros
À conta-gotas, teclo meus dias aflitos
À contragosto, calo a voz e desespero
Desesperar, para esperar dias melhores
Desatinar, para atentar a outras cores.
Desmantelar, o que me faz mantê-la viva
Desescrever, a história viva e suicida.
E escrever, pra que meu grito não ensurdeça
E esperar que um novo dia amanheça
Recuperar o tino, o norte e a cabeça.
Remartelar, para que eu nunca mais me esqueça
A vida é dura, não abaixe tua defesa,
Seja fraco, só se for na solidão,
Seja guerra, seja luta e fortaleza.
Se vacilar, te atropela a multidão
Essa é a vida negão.
Hipócrita.
Nessas horas,
ou eu falo, ou explodo.
Ou liberto em voz, em letras, algumas palavras.
Ou vomito palavras de ódio por todos os cantos
em cima dos outros
dos que merecem e não merecem.
Há horas,
em que é preciso parar.
Porque continuar é como ir parando aos poucos.
Continuar é rumar para o abismo
Há horas,
em que é preciso mudar.
Pois a rotina entediante nos vicia.
Pois a força dos acontecimentos nos atropela
pois as mentes vagabundas não nos ajudam.
E nos puxam para baixo.
e nos matam a alma,
e nos sugam o sangue,
e nos roubam a calma
e depositam sobre nossos ombros todo peso que não podem carregar.
Nem eu poderia.
Há horas e horas.
Chega a hora do CHEGA!
E é preciso dar um basta!
Mas o limite já estourou, está esgotado, transbordou.
E o vômito vai borrar os quatro cantos do meu imaginário.
Nessas horas,
ou eu falo, ou explodo.