sábado, 6 de setembro de 2008

Drunk Post 2

Sábado,
o passeio de todos os passeios
cínico, sonso, bobo e enganador.

Um sorriso amarelo pra lá
Boa noite, bem vindo.
Um aperto flácido de mão,
como está, e a família?.

Dinossauros se cumprimentam e decidem o futuro.
E você, eu...
tentando entender.
as novas instâncias de poder.
Tentando poder.

A pele vai enrugando,
e eu sentado nesta antiga poltrona,
tentado ser eu,
algo autêntico
e sendo um espalhafatoso e inútil
retrato comum,
do que há de mais comum,
e quer mudar sempre pra melhor.

Dedos aleatórios dão nisso,
palavras soltas,
mas tão carregadas de significado.

Pra rachar

Lá vai ele caminhando pela rua.
Esquiva do pedinte, contorna o motociclista que vem em alta velocidade pela calçada e vira depois do segundo ambulante para, enfim, perder-se em meio à multidão.

Só ali ele se sente feliz... só ali.
Só ali em meio à guerra cotidiana... só ali.
Só quando pode olhar feio o batedor de carteira. Só quando abraça com um sorriso amarelo e hipócrita o bandido fardado. Só quando descarrega de volta no mundo toda a carga de cinismo que recebe pela TV, revista e outdoor, ele se sente feliz. Só ali, no ringue sem regras das ruas da cidade.

Em meio ao caos, em meio à selva, em meio aos vermes e predadores... ele também se sente acuado, oprimido... busca um ponto no horizonte para descansar a vista, relaxar a mente, esclarecer suas idéias. Ele se sente feliz?

Não há horizonte nem caminho a seguir. Mas ele segue, se contorcendo pelos subsolos, em meio aos carros e ruas, entre o canto sufocado dos pássaros, entre a fumaça que lhe resseca a garganta e a vista.

Se lembra do espaço não povoado em seu coração. Da devastação causada por aquela mulher. E pensa que ali, naquela terra salgada pela desilusão, ainda seria capaz de crescer um jardim. Mas nas ruas da sua cidade não. Não há mãos dispostas a jardinar. E as pessoas lhe olham com desdém e desprezo. E assim o deserto citadino penetra seu peito.

Dilui no vento poluído seus sonhos, suas ilusões e seu desamor. E volta à realidade, ainda à tempo de atravessar mais um farol...

É bom recobrar a consciência, pensa ele. Aguça a visão, tensiona os músculos e penetra de novo a multidão. É hora de vingar-se.

A partir de agora, o mundo não vai mais debochar dos seus dias insossos e fúteis. A partir de agora, ele vai ser feliz.

Ele vai amar, nem que seja na porrada!

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

O homem grande

De vez em quando o menino fica murcho, sem forças.
Tem vontade volver à infância,
correr de meia pela casa,
dar asas a imaginação,
beber leite com chocolate em frente ao desenho animado.

De vez em quando o menino fica triste, choroso,
e surge uma vontade imensa de explodir em lágrima.
mas ao olhar ao redor,
não há quem possa ampará-lo,
e o menino já não cabe naquele imenso sofá.

O menino prefere o choro contido, o grito calado,
ao seu choro desamparado.

O menino virou homem grande,
mas o homem grande ainda não foi capaz de sufocar o menino.

O menino quer sorrir, correr, brincar de lutar,
enquanto o homem grande luta para sobreviver.
O menino quer chorar.
O homem grande engole o choro e segue adiante.
O menino é frágil e sincero.
O homem grande finge ser forte para não se expor.
Afinal, como é feio ser frágil.
Afinal, para que ser sincero?

O mundo roda e, todos os dias,
o homem grande entra em conflito com o menino.
O homem grande quer sufocar o menino,
o homem grande não pára.
O homem grande quer vencer, crescer,
quer que o menino se vá.
O homem grande quer ser forte, enfim.
Afinal, como é feio chorar.

Muitos deixam o menino partir...
Mas só o sábio homem grande o protege e ampara.
Só ele vê que o homem grande menino é a coisa mais bela.
E a mais rara!

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Poema-pílula 2 - correria

Queria fazer um poema curto
como tudo o que passa por mim.
Mas vou por o ponto final
e o poema não chegou ao fim
...

Poema-pílula 1 - Ah se eu pudesse

Se eu pudesse e conseguisse,
decoraria o dicionário
pra ver se encontrava, uma palavra
que eu dissesse e transmitisse
meu amor de solitário.

Se eu pudesse e conseguisse
eu a diria quando a visse
para ver se conquistava, uma coisa qualquer
que não se resume em palavra
naquela mulher.