domingo, 27 de dezembro de 2009

Não gosto / Odeio

Duas músicas rebeldes, pois rebelde está minh'alma nesta reta final de 2009.




sábado, 26 de dezembro de 2009

Liberdade

Dia após dia, rompem-se os nós,
Quebram-se as correntes.

Ainda não sou livre.
A criatividade ainda está enjaulada no proceder burocrático
Nas regras que aprisionam
Na organização que assassina o que há de melhor em mim

Ainda não sou livre
Ainda me rondam prazos e compromissos,
Tarefas e afazeres,
Determinando-me objetivos, impedindo-me de agir sem fim.

Justas e merecidas férias para esquecer esse mundo racional.
Para me libertar da opressão matemática.

A natureza nos demonstra, dia após dia, que viver também é uma arte do improviso
E eu quero a espontaneidade sem limites definidos.
Sem métrica, nem rima. Quiçá até sem linguagem.

Quero a atitude pouco profissional, que resgata diante dos meus olhos a dimensão humana de tudo que existe.
Quero a paz de poder enlouquecer e fugir de todos os parâmetros.
Quero ser bicho, quero perder o sentido.
Quero vagar por aí.

Até o ano que vem.
E muito mais além.

Ainda não sou livre.
Mas muita coisa vai mudar...

Até o ano que vem.
E muito mais além.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Sorriso final

Eu quero fazer bagunça
Eu quero desorganizar o local
Eu quero subverter a lógica
Quebrar o maldito e enfadonho protocolo.

Quero rasgar o documento ao meio
Quero partir o coração em mil
Quero bagunçar o raciocínio
Colocar tudo fora de lugar.

Chega de versos polidos e bem acabados
Chega de carimbos e contratos
Chega de negócios e burocracia
Basta dessa vida fria
Basta dessa vida insossa.

Eu preciso do psicodélico
Eu preciso do sem sentido
Necessito mais uma dose
Necessito um pouco mais de risco

Cansei-me da linha reta
Do discurso linear
Quero voar em círculos
E chegar a nenhum lugar

Basta de matemática, ciências duras, geometria.
Estou farto de fórmulas de eficiência
Quero desperdiçar meu tempo no que é mais inútil
Quero o mau gosto
O imprevisível
O imperdoável
O incontível e inexplicável.

Não quero viver com os pés no chão,
vendo o mundo a desabar a minha volta.

Quero acabar esborrachado no chão
Caído de um sonho alto,
Estamapando no mundo o carimbo
De um longo e largo sorriso.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Classe...

Só para manter este espaço ativo, enquanto este ano incrivelmente atribulado não termina.

SOCIETY
Eddie Vedder - Into The Wild



Oh, it's a mystery to me
We have a greed with which we have agreed
And you think you have to want more than you need
Until you have it all you won't be free

Society, you're a crazy breed
Hope you're not lonely without me...

When you want more than you have
You think you need...
And when you think more than you want
Your thoughts begin to bleed
I think I need to find a bigger place
Because when you have more than you think
You need more space

Society, you're a crazy breed
Hope you're not lonely without me...
Society, crazy indeed
Hope you're not lonely without me...

There's those thinking, more-or-less, less is more
But if less is more, how you keeping score?
Means for every point you make, your level drops
Kinda like you're starting from the top
You can't do that...

Society, you're a crazy breed
Hope you're not lonely without me...
Society, crazy indeed
Hope you're not lonely without me...

Society, have mercy on me
Hope you're not angry if I disagree...
Society, crazy indeed
Hope you're not lonely without me...

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Na escada

Texto de autoria de Ricardo Martensen

CLARO
“Segura o saco de pipoca pra eu pegar os ingressos?”. “Claro.” Ainda sobra um pouco de constrangimento. Aquele medo dos silêncios, das frases erradas. Afinal – depois de tantas noitadas – estamos sóbrios e a luz clara do Shopping não ajuda em nada. O Shopping não ajuda em nada. “Só tem um ingresso aqui moço”, dispara o porteiro impiedosamente. Parece saber de tudo. E não se importa. O embaraço do inábil ator que esquece a fala no diálogo principal, sua desastrada tentativa de improviso e a brutal incapacidade de fingir-se seguro perante aquilo que foge ao seu controle.... nada disso lhe importa. Tudo o que quer é cumprir sua obrigação: um ingresso por pessoa. “Segura a Coca também, vou ver no bolso.” Nada. “Segura aqui que vou ver na bolsa.” Pipoca e refrigerante pipocam de mão pra mão. Nada. Voltamos ao caixa, a fila é grande. Cortamos a fila (afinal temos direito, já pagamos!). Evito olhar para a pequena multidão enfileirada. Temo os comentários, talvez até uma possível represália coletiva. Me esforço para me controlar. Esse é o momento de mostrar segurança. O gerente é chamado. Tudo está muito claro. Opressivamente claro. O dinheiro é contado, o “sistema” conferido. Sim, de fato houve um erro. Ufa! Missão cumprida. Ingressos na mão (os dois) passamos triunfantes pelo mesmo porteiro.

ESCURO
Quatro pupilas contraídas entram na sala. A escuridão é quase total. Ironicamente passo a desejar qualquer nesga de luz. Essa só vem nas raras cenas claras do trailer. Merda, seria um filme de vampiro!? Os tropeções inevitáveis. A multidão de pupilas já dilatadas nos fita. Pelo menos é o que imagino. Somos uma presa fácil. E solitária. Somos nós contra eles. E eles parecem estar em todo lugar. “Ali tem.” “Não, é só uma”. “Ali também só tem uma.” Cambaleamos por toda a sala numa inútil busca enquanto os sádicos olhares anseiam por nossa reação. Meticulosamente prepararam a platéia antes de nossa chegada. Sou posto à prova novamente. “Sentamos aqui”, escuto. “Aqui?” “É, aqui.” “Tá bom.” Ainda escolho desajeitado em qual dos degraus sentar – a pipoca ainda atrapalha – quando me dou conta que vencemos. A engenharia pragmática da via de acesso somada ao escorar de nossos ombros se revelam pra mim muito mais confortáveis do que as militares fileiras de estofados e porta copos. A Coca fica melhor no chão. De repente, me viro para olhá-los (agora consigo ver tudo). Frustrados, fingem ver o filme.