quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Notícia do dia - Confusão de conceitos

A notícia que vai baixo, no geral, é positiva, mas impressiona pela confusão de conceitos e soluções. Conforme o Estado (dá pra confiar?) aponta, a PF editou manual para disciplinar a ação dos policiais. Segundo o jornal, as medidas foram tomadas muito mais em função de uma exigência política do presidente, do que pelos problemas vistos no passado.

O diário deixa de lembrar, entretanto, a grita da imprensa (uma demanda da sociedade?) em casos como o da Daslu, no qual se acusou a PF de espetacularizar a operação.

Pior que esta omissão, são as palavras de um delegado (supostamente estudado em direito) entrevistado na matérias, ao falar do uso das algemas como "símbolo do Estado exercendo seu poder de prisao". Em que pese o avanço no respeito ao preso (muitas vezes um suspeito, e não um criminoso condenado), faltou explicar ao delegado e à PF que as algemas só devem ser usadas quando o preso oferece perigo aos policiais, aos cidadãos, ou resiste à prisão e tenta fugir. Um indivíduo desarmado que se entrega, deve ser punido pelos crimes que tiver cometido, mas não precisa ser algemado para tanto.

A ânsia por um País onde não haja tanta impunidade, entretanto, nos deixa tentados a aprovar o reprovável.

Algemas e espetacularização à parte, a PF tem dado um bom exemplo no combate à corrupção. Melhor seria se o Poder Judiciário julgasse os crimes que a PF investiga. Para tanto, a estrada é longa. Mas o que importa é caminharmos para isso.

A notícia, vai abaixo.

PF lança manual para disciplinar ação dos agentes

Apesar de aprovar uso de algemas, novo código veta exposição do preso e prevê substituição de camburões

Vannildo Mendes, BRASÍLIA

Sete meses depois de ser censurada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Polícia Federal editou um manual de operações para disciplinar as ações do órgão. Consideradas pirotécnicas - com prisões e arrombamentos de portas registrados em vídeo e repassados à imprensa -, as megaoperações aborreceram o Planalto. Em outra ocasião, Lula reclamou dos excessos da Operação Navalha, que desbaratou esquema de fraudes em licitações públicas e derrubou Silas Rondeau do Ministério de Minas e Energia.

O novo manual, apresentado ontem pelo diretor-geral da PF, delegado Luiz Fernando Corrêa, reforça o uso de algemas como “regra de segurança”, mas veta a exposição de presos, sob pena de punição disciplinar ao policial infrator. Em junho passado, Lula reclamou que, em razão de “problemas internos” e “brigas políticas”, estaria “pingando” informação da PF para jornais sobre o suposto envolvimento de seu irmão, Genival Inácio da Silva, o Vavá, num esquema de lobby.

O documento introduziu na estrutura operacional uma equipe de custódia, encarregada de facilitar o acesso dos advogados aos autos dos inquéritos e aos seus clientes. O velho camburão será substituído por um novo tipo de viatura para condução de presos, cujo protótipo já foi encomendado à indústria e está em fase de finalização. “A algema é o símbolo do Estado exercendo seu poder de prisão, mas o sucesso da PF não deve ser marcado pela imagem de alguém sendo jogado num camburão”, disse. O objetivo, conforme Corrêa, é observar o respeito aos direitos humanos e a dignidade do preso, sem prejuízo ao combate ao crime, à segurança das operações e ao direito de a imprensa informar.

Elaborado na gestão do ex-diretor Paulo Lacerda, o manual de operações entra em vigor após sofrer algumas correções pela nova cúpula da PF. Seu objetivo é padronizar as atividades de gestão e planejamento da principal polícia brasileira no combate à corrupção e ao crime organizado. Entre outras medidas, o manual estimula o oferecimento da delação premiada desde a primeira fase da investigação, não mais apenas na fase conclusiva.

O documento prescreve até os tipos de roupas adequadas, conforme a situação: ostensivo, a ser usado nas operações de praxe, que exigem pronta identificação policial; e o social, previsto para ocasiões que exigem discrição ou em diligências em repartições públicas. Todo policial terá uma pistola de 9 milímetros como arma obrigatória, independentemente das armas especiais conforme o risco da operação e das de uso pessoal.

O manual divide os procedimentos dos policiais em três fases. A primeira, o início da investigação, ampara-se no trabalho de inteligência e no monitoramento intenso dos suspeitos, inclusive com escuta ambiental e telefônica. “Mas só com autorização judicial e como recurso complementar na obtenção de provas, como manda a lei”, explica Corrêa. A fase seguinte é a ostensiva, em que ocorrem as prisões e mandados de busca e apreensão nos endereços dos investigados. A ordem é evitar a exibição de presos algemados para as câmeras.

A última fase é a conclusão do inquérito, com novidades para facilitar o manuseio pela Justiça, procuradores e advogados, como índice para localização de todas as peças e mídia com links para as provas.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

"Pra ver, os olhos vão de bicicleta...

... até enxergar".

Recomendo a leitura da coluna do Nando Reis de hoje, na seção esportiva "Boleiros" do Estado. Com palavras sutis, ele descreve bem a diferença entre ir ao estádio e assistir uma partida pela TV. Para aquele que não deixa o sofá compreender o que está perdendo.

Um pequeno trecho vai abaixo.


"Assistir a uma partida de futebol no estádio é completamente diferente de ver o jogo pela TV. Ali se enxerga o que de fato compõe a complexidade das variações e as múltiplas alternativas que fazem desse esporte uma paixão incendiária.

Não há 30 câmeras que reprisem uma jogada por 30 ângulos diferentes que consigam entender a importância para o jogo daquilo que “não acontece’’. O jogo é também atleta que sobe pela ponta e volta pelo meio; a aproximação sorrateira do zagueiro quando é batida uma falta na lateral, ou mesmo um escanteio; a contusão do homem que se contorce em campo e faz com que seu oponente role a bola para a lateral. A torcida que espanta a chuva cantando sem parar. O sorveteiro que importuna passando 700 vezes na sua frente. Tudo isso está além do que a nitidez e a pureza de uma imagem digital pode nos oferecer.

Sempre me admiro com a capacidade que os técnicos têm de “ler’’ o jogo daquele ângulo ingrato - do banco de reservas, no nível do campo. Nunca assisti a uma partida oficial do campo. De certa maneira, me fascina essa capacidade interpretativa criada pelo exercício contínuo de quem tem essa atividade não como passatempo, mas ofício.Nunca acreditei naquele ditado que diz “o que os olhos não vêem, o coração não sente’’. O verdadeiro futebol não é visto por quem não vê o que não é jogado."

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Pra ver, os olhos vão de bicicleta até enxergar,
Pra ouvir, as orelhas dão os talheres de escutar.
Pra dizer, os lábios são duas almofadas de falar.
Pra sentir, as narinas não viram chaminés sem respirar.
Pra ir, as pernas estão no automóvel, sem andar.
(Nando Reis - "O caroço da Cabeça)

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Dúvida Cruel

Dúvida, dúvida; e confusão.

O ato de decidir, é cruel.

Indecisão.

?

Escolher um, é dizer não à todo o resto.

É dizer não a tudo que é, ao mesmo tempo, melhor e pior.

?

Escolher um, é amarrar-se nas engrenagens do destino,

e jogar o futuro nas mãos do acaso.

A escolha implica, necessariamente, a imediata perda do poder de decidir.

Ficar na dúvida até o último momento, entretanto, não lho restitui.

Porque a vida é dinâmica,

e move-se sem nos pedir autorização.

Porque omitir, é decidir-se por ficar como está.

Ou por ficar como as coisas queiram estar,

como os outros queiram que esteja.

?
O ato de decidir, é cruel.

E a dúvida é necessária.

Duvidar, é sempre bom.

Mas o permanente estado de dúvida é paradoxal.

É o ponto ótimo de uma alma questionadora.

É o ponto péssimo de um sonhador, que não aplica, não faz, não constrói.

E o peito dói.

?
Mais uma vez, o ponderado aparece como ideal.

E só duvidando muito, é possível encontrá-lo.

?

Mas há muitas vezes,

em que os extremos nos elevam aos céus.

E são o que há de mais doce no mundo.

E há muitas vezes,

em que os extremos nos enterram no chão,

e são o que de mais vivo há nesse mundo.

?

Por isso omitir-se pode ser não só covardia.

Pode ser um estado de profunda reflexão,

Em que o pensar é mais forte que o agir,

e justamente por isso pode ser o melhor,

ou o pior.

Por isso agir, é um estado de atuação decidida.

Seja por impulso, seja por reflexão,

e justamente por isso pode ser o pior,

ou o melhor.

?

O que importa, nisso tudo, é a dúvida.

Dúvida de quem quer abraçar o mundo,

e vê o mundo decidindo seu rumo.

Dúvida de quem se vê imóvel.

Movendo-se pelo curso incessante das águas,

e lamentando o destino que tomam.

Movendo-se pela inércia dos fatos,

perplexo pela força dos acontecimentos.

?

Dúvida de quem precisa remar contra a corrente,

mas quer desaguar na imensidão deste mar.

?

Dúvida de uma vida que segue, muitas vezes cega.

Indecisão de um peito que pulsa, e muitas vezes nega.

Fingindo ser indiferente,

a tudo aquilo que sente.

Indeciso,

tanto pelo riso,

por tanto pranto

quanto pelo pranto,

de tanto riso.

?

Só para não antecipar qualquer movimento,

esperando um próximo passo,

Ocultando qualquer sentimento,

à espera de um abraço.



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Da série Tales of Mere Existence, no YouTube.

Procrastination


sábado, 12 de janeiro de 2008

Crônicas de um Palestrino 2 - Palmeiras 4 x 2 Flamengo

No post anterior, ficou uma sensação de insatisfação: como mencionar Palmeiras 4 x 2 Flamengo sem dar um algo mais que possa servir como um vislumbre do que foi estar no estádio naquele dia 21 de maio de 1999.

Era quartas de final da Copa do Brasil (e não semi, como diz o vídeo abaixo). Na ocasião, pela força do time do Palmeiras, eu achava que o time iria conquistar os três grandes torneios do semestre. A Copa do Brasil, a Libertadores (que ao final conquistamos) e o Paulistão. No Paulistão, fomos vice, perdendo pro Corinthians após fazer o primeiro jogo da final com um time misto. No segundo jogo, pancadaria geral após Edílson (do Corinthians) fazer embaixadinhas e colocar a bola atrás da nuca. Para toda a minha vida, levei daquela noite uma importante lição: respeitar o adversário é essencial, em especial quando a disputa está à flor da pele.

O cenário de Palmeiras e Flamengo era diferente de qualquer coisa que eu já vira no Palestra
Itália. Nunca, em um jogo em casa, havia tanta torcida adversária presente. Durante a partida, veio a explicação: uma massa de corinthianos, impulsionada pela rivalidade ainda mais latente na época, invadira o Palestra cantando "Timão, eô". Mais que isso, no jogo seguinte no Palestra, ainda me lembro de ver pichado o nome da organizada Gaviões nas escadas que dão acesso à arquibancada.

O Flamengo saiu na frente no primeiro tempo. O Palmeiras só foi empatar aos 26 da segunda etapa, com um gol de Oséas. Aos 32, o Flamengo desempatou num belo gol de falta. O Palmeiras, que então precisava tirar 3 gols de diferença para ir a final, empatou num belo chute de Júnior aos 35, e foi virar aos 44 e 46 com dois gols de Euller.

Mas o que importa, foi o que se sucedeu naqueles 10 minutos de taquicardia. Aos 32, alguns torcedores começaram a deixar o estádio. Em tom de brincadeira, lembro de gritar, como tradicionalmente se faz, "sai fora pé-frio!", "a gente vai marcar três ainda". Era pura brincadeira, de quem assim como os outros presentes, já estava se conformando com a dura eliminação.

A torcida corinthiana e flamenguista presente no estádio gritava, calando o Palestra: "E-LI-MINADO". A minha revolta (eu tinha 17 anos), era enlouquecedora. Aos 35, uma luz, mas nada que desse um verdadeiro ânimo para acreditarmos na classificação, ainda mais quando o tempo ia lentamente se passando, sem que o Palmeiras pudesse diminuir o placar. Aos 40, uma multidão começou a se retirar e, desacreditado, renovei meus gritos de "fora pé-frio", dirigindo um riso misto de piada e decepção ao meu primo que me acompanhava naquela noite.

Dos 44 ao fim do jogo, menos de 5 minutos que valem a vida de um torcedor. Uma emoção em massa inexplicável, mas que em vão tentarei rabiscar. Dois gols de cabeça do Euller após dois escanteios, batidos do mesmo lado. Os gols, após dois "bate-rebates". Um misto de sorte, estrela e, mesmo não acreditando em divindades, muita reza. Após o primeiro gol do filho-do-vento Euller, aos 44, a torcida explodiu e voltou a acreditar no time.

Àquela altura, alguns torcedores que já se encontravam no túnel que leva para fora do Palestra, começaram a retornar às arquibancadas. O canto da torcida da casa sufocou o dos visitantes. Aos 46 veio o segundo gol e a euforia generalizada: lembro-me que cada jogador correu em direções diferentes após o gol; os gandulas invadiram o campo para comemorar; o goleiro do flamengo chutou a bola para o alto no ápice da sua raiva; e a torcida, não pode entoar um só grito em conjunto... o estádio estava eufórico e não tinha condições de cantar em uma só voz, tamanha era a emoção!

Poucos se lembram, mas o Fla quase estragou a festa aos 48, com um cruzamento da esquerda e um carrinho do lateral-direito Pimentel (ex-Palmeiras), que jogou a bola contra a trave esquerda do goleiro Marcos. A torcida do Palmeiras emudeceu, mas foi por menos de um segundo e, naquele momento, sequer poderia realizar o que seria se aquela bola tivesse entrado.

A capa do jornal LANCE! do dia seguinte trazia o título: ÊXTASE VERDE. Na TV, durante mais de uma semana, a imagem mais comentada foi a de um menino chamado Ênio, chorando desamparado no colo do pai. Seria aquela a sua primeira partida? De que forma será que aquela noite marcou aquele garoto?

A euforia foi total. E minha noite se acabou com a bandeira do Palmeiras tremulando dependurada no porta-malas do carro, enquanto eu, meu primo e alguns de seus amigos voltávamos buzinando freneticamente em meio a muitos outros pela Avenida Sumaré, berrando e cantando de forma alucinada e ouvindo as notícias e entrevistas pelo rádio.

Fico imaginando o que deve ter pensado uma pessoa que não goste de futebol, naquela avenida. Algum transeunte que sequer soubesse da realização de uma partida naquele dia. Deve ter ouvido assustado o estádio explodir com o terceiro e quarto gols. Deve se ter perguntando se o Palmeiras havia sido campeão, se o jogo era uma final, ficando surpreso ao saber que não se tratava de nada disso. Esta pessoa jamais comprenderá, provavelmente, que ainda que fosse um amistoso, teria sido demais. E aí está uma beleza do futebol e do esporte em geral: sua capacidade de criar emoção e beleza a partir do nada, e ao mesmo tempo, com fundamento em muita história.

Um pouco dessa emoção e dessa história pode ser vista no vídeo abaixo. Mas há muito mais em torno dessa partida e da sensação dos torcedores que estavam naquele estádio, como os confrontos com o Corinthians na Libertadores daquele ano. Mais do que ganhar o jogo e classificar-se, calar a torcida Corinthiana engendrada na massa rubro-negra teve um prazer especial. Afinal, o Palestra Itália já era (e sempre será), o nosso estádio, a nossa casa. Como poderíamos deixar impune um visitante tão mal-educado?

Naquela noite, ainda, destaco algo que me serviu de lição (também) para o resto da vida: observar a raça do jogador Paulo Nunes, que nos três gols do Palmeiras no segundo tempo foi recolher a bola no fundo das redes, mesmo quando tudo já parecia perdido.

Prova de que, mais do que um simples entretenimento, o futebol (e o esporte) pode educar e ser uma escola na vida. Aquele atleta, naquele dia, me marcou e me ensinou a acreditar que não há vitória perdida enquanto a história não tiver chegado ao fim, que não há derrota certa e que é importante acreditar no impossível.

Já dizia Fernado Pessoa, afinal: "Tudo vale a pena quando a alma não é pequena."

A minha, certamente, não é!
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A propósito: recentemente o Euller deu uma declaração sobre esse jogo: "Nunca vivi algo parecido com aquilo. Lembro que o estádio estava lotado e, mesmo quando perdíamos por 2 a 1, sentíamos uma vibração muito forte. A torcida incentivando e o grupo acreditando. Foram dois gols mágicos, que jamais sairão da minha memória." Veja no Globoesporte

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Mais de um ano depois do post mais um video do Sportv que vale a pena ver, com uma longa entrevista com o Euller. O Sportv podia ter caprichado mais, mas tá legal. O importante é que ficou o registro.

Vai abaixo, em duas partes

Parte 1:


Parte 2:


Destaque para o Rodrigo Mendes falando que foi o jogo mais emocionante da carreira dele. E para a torcida cantando Galvão, viado. hahaha. Muito bom!

Tem algum conteúdo pra indicar a respeito? Deixe um comentário!!!

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Crônicas de um Palestrino - A Pré-Temporada

Janeiro...
Mês da ansiedade, expectativa, indefinição.

Pré-temporada é assim: a diretoria trabalhando em segredo e o torcedor, eu, com o coração na mão, batendo torto, arrítmico.

Primeiro dia de trabalho, pós-reveillon, e eu já não podia suportar. Sentar naquela mesa de novo, olhar para aquele mesmo computador, aqueles mesmos colegas, os mesmos problemas, as eternas pendências. Tudo angustiante. No pós-reveillon, com tantos planos de mudança, tudo tão eternamente velho, empoeirado.

Alguns dizem que a vida é assim. Pode até ser, mas eu não aceito. Se for, não é um porre. É a ressaca de um porre.

Eu cheguei, eu me sentei. Até pensei que um café, uma água e um banheiro fossem melhorar a situação. Talvez checar meus e-mails... hmmm, isso sim, mais interessante. Mil formas de procrastinar, evitar o início do ano velho.

O café acabou, os e-mails das férias também. Fiz até uma limpeza na caixa postal... e minha cabeça continuava lá, longínqua.

Depois de tantos anos, de tantas decepções, de severas humilhações, será que eu poderia, de novo, sonhar? Será valeria a pena acreditar? Acreditei, e pus minha crença toda neste espírito de renovação. Time base bom, técnico novo e de ponta, lateral novo e promissor, atacante novo e com fama de matador. Gênios mantidos. Operários mantidos. Lá vamos nós, em busca do que nos falta, nos assola, nos atormenta: uma taça, por mais simples que seja.

Aos 25 anos, sou de uma geração de palmeirenses que não se acostumou a perder. Aos 11, vi meu time sair da fila e sequer compreendia o que estava acontecendo. Com o título paulista, comecei a pegar gosto pelo futebol.

Seguiu-se uma geração de ouro, de conquistas, de viradas históricas, dentre as quais destacou-se a semifinal da Copa do Brasil: Palmeiras 4 x 2 Flamengo.

E a essa geração, seguiu-se a geração derrotada que perdura, desde o ano 2000 até hoje, que incluiu uma queda para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro.

Hoje, com novas perspectivas, com nova diretoria, com novo patrocinador, a esperança se renovou. E sentado na mesa do trabalho, praticamente não consigo fazer outra coisa que não seja acompanhar as contratações e o desenho do time.

Em pauta, a rivalidade Grêmio x Palmeiras de tantas brigas, dessa vez na luta por um jovem jogador: Diego Souza.

Na mesa do trabalho, enjaulado em frente ao computador, pouco posso fazer, além de navegar pelos sites que me trazem notícias do meu time do coração. Para burlar o monitoramento do trabalho, uso a assinatura RSS, e só entro nos sites quando sei que há novas notícias: umas 20 vezes por dia, no mínimo, em três sites diferentes, fora os estrangeiros, quando as negociações envolvem times de outros países.

E assim vai se montando a equipe. E assim minha obsessão vai sendo alimentada. E se a notícia não sai, eu sofro.

Que será quando a temporada começar, impossível saber: por enquanto, só me resta expectativa...

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